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segunda-feira, 31 de julho de 2017

A beleza da alma de Maria - O Ideal

Obra de Sassoferrato
PARTE I - O IDEAL

A verdadeira beleza reside na alma. Só e isolada da beleza interior, a beleza visível é excessivamente vã, frágil e mesmo perigosa, desde o pecado, para ser digna de atrair os olhos criados para contemplar a Deus. 

Há coisa melhor que a beleza física do semblante, pois há uma beleza moral, um esplendor das almas. Desde que o pecado perverteu o gosto do homem - ó coisa lamentável! - a beleza unicamente exterior não é mais que um atrativo da volúpia e uma fonte de desordens. 

O mundo não sabe mais elevar-se acima do que o adula, para se elevar até ao Autor de toda beleza, e é nisto que consiste a sua miséria, sua dolorosa degeneração. 

É por isso que se deviam antepor aos seus olhos, mais vezes e com mais instância, visões feitas de luz, de heroísmo e de pureza. 

Da visão ao amor há apenas um passo, e o amor dirigido para o ideal divino, para a beleza moral, é o começo da regeneração e da santidade. O ideal da beleza absoluta só existe em Deus, pois só nEle se encontram, em todo o Seu esplendor, o "Verdadeiro" e "Bom", que, sem ser a essência do "Belo", são, entretanto, duas partes constitutivas, de tal modo que sem "Verdade" e sem "Bondade" a beleza não pode existir. 

Difícil seria dizer precisamente em que consiste a beleza. 

É uma certa relação, uma graça, uma harmonia de natureza, um não sei que, que todo mundo conhece e que se não pode ver sem amar. 

O céu é a pátria do "Belo". - É sua morada, e aí pode o homem contemplá-lO a descoberto... ofuscar-se à Sua visão... lançar-se nEle... e dEle viver!... 

Aqui na terra não possuímos mais que uma débil irradiação desta inefável beleza nas criaturas. Mas Deus não se contentou com isso. Querendo fazer-nos entrever este Belo infinito e essencial, que a alma nem sequer tinha suspeitado, abriu-se o céu por um instante para encantar o mundo com o seu ideal. 

E era esta manifestação divina que fazia brotar do peito do imortal gênio de Hipona, Santo Agostinho, este brado de saudade e de deslumbramento: "Ó beleza sempre antiga e sempre nova, quão tarde eu te conheci, quão tarde eu te amei!" 

"O belo essencial, disse Lamennais, é Cristo, em quem o ideal existe em seu mais alto grau. O Criador e a criação nEle são ao mesmo tempo distintos e inseparáveis - Aquele incorporado em Sua obra, esta espiritualizada em seu exemplar eterno. É o Belo completo, o Belo em suas relações com o Verdadeiro e com o Bom". (Esboço duma filosofia, III, p. 130) 

Daí provém os dois caracteres distintos do Belo, cuja idéia não era conhecida pela antiguidade: - o infinito e o amor. 

O Cristo é o infinito em perfeição. - Ele é o amor. É Deus sensível ao coração... - Deus amado como Homem, com o infinito de Deus. Mas como desceu esta beleza infinita até nós? 

- É a grande pergunta que se deve fazer depois de cada um dos mistérios com que aprouve ao céu cercar-nos. Como?... - Por Maria: - "Mariae de quanatus est Christus". 

Este belo é uma flor, e Maria é a sua haste! É Ela que O recebeu, tal qual Ele é em si mesmo, nesta beleza essencial e incriada que extasia os anjos e o próprio Deus, que reluz através de todas as maravilhas da natureza. 

Maria tornou-se, como diz São Tomás, "A arca do Ideal!" 

Por isso mesmo, diz o autor da "Virgem Maria", Maria é a obra prima deste Belo que se reproduziu nEla. Porque como Ele veio para se reproduzir nas almas, pela virtude sobrenatural de Sua graça, inerente à Sua encarnação, a primeira alma que Ele havia embelezado é a da Virgem, em que Ele se fez carne. 

Eis por que, antes mesmo de descer nEla, preveniu-A com Suas graças, preservou-A com a arte de um Deus e todo o amor de um Filho, como o Seu tabernáculo, com a substância de que Ele mesmo queria ser feito. 

Ela era desde então "cheia de graça". 

E qual não devia ser Sua beleza, para que a natureza angélica se inclinasse diante dEla, e que o próprio Deus, na admiração de Sua obra, exclamasse, à Sua vista: "Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te!" - Sois toda bela, ó minha amiga, e mácula alguma há em Vós!" 

Já que chamamos Maria de "Santidade criada", podemos também chamá-lA, a beleza criada, isto é, a beleza por excelência entre todas as belezas criadas, desde a flor dos campos até ao serafim, não sendo sobrepujada senão pelo belo infinito e criador, que foi aqui na terra o fruto da virgindade, e que, saindo dEla, deixou-Lhe Sua forma de todas as belezas que Ele semeou em todo o universo. 

Mas em que consistia esta beleza de Maria?... 

"Consistia, diz o P. Binet, numa espécie de combate da natureza e da graça que entre si rivalizaram em enriquecê-lA e orná-lA de seus mais belos adornos". 

"Afirmamos audaciosamente, diz Santo Alberto Magno, que a Virgem ultrapassou em graça e em beleza a todas as mulheres, pois possuiu em supremo grau a perfeição de que foi capaz um corpo mortal e que a natureza nada podia fazer de mais excelente". (Quaest. sup. missus est, 15, 3) 

"Convinha, e este é o pensamento de Dionísio o Cartucho, que o Filho de Deus e a Mãe de Deus fossem dotados, no mais eminente grau, de todas as perfeições da natureza e da graça: - o Filho, por causa de Sua união hipostática à divindade; a Mãe, por causa da união com Deus, a mais estreita depois da que é própria ao Seu divino Filho". (De laud. excell. B. Virg., T. I, lib. 6, C. 9, n.18) 

A beleza exerce sobre os homens um império soberano. Longe, aqui, as belezas profanas! Trata-se da beleza da alma, cujo irradiamento sobre uma fronte humana desanima o artista, maravilha os próprios anjos. 

Maria é a criatura que mais se aproxima da beleza de Deus e que dEle trouxe o reflexo mais puro. Convinha que a Mãe do nosso Pontífice fosse como Ele "santa, inocente, imaculada, separada dos pecadores e mais elevada que os céus". 

Era necessário ao novo Adão, como o fora ao primeiro, "uma auxiliar semelhante a si mesmo". Era necessária a plenitude de vida, de vida natural e de vida sobrenatural; era necessária a beleza encantadora! Como outrora, após Jesus, "todo mundo vai após Ela". 

Beleza radiante! - Ela embeleza a religião e a Igreja. No Credo Seu nome esparge como que um sorriso sobre os demais dogmas. Seu exemplo, Sua ação nas almas faz florescer na Igreja as mais belas e heróicas virtudes. 

Sem Ela a Igreja seria "como um ano sem o mês de maio". 

É da alma, sobretudo, que vem a beleza. E é a graça que dá à alma seu aparato e seu brilho, de tal modo que as almas mais favorecidas da graça divina são, por isso mesmo, as mais belas. 

Sigamos um instante esta maravilha da graça em Sua Conceição e em Seu contínuo crescimento - crescimento da graça, da glória e das virtudes. 

Tantos abismos insondáveis, sem dúvida, mas cuja vista, não poderá senão deslumbrar nossos corações. 

Ó Maria, aqui na terra o homem vai empós da beleza, para dar-lhe seu coração e suas afeições, deixa-se ofuscar por um pequeno raio, por uma sombra que passa! Por que não se apegaria ele ao contemplar-Vos... como o seu coração se dilataria a este espetáculo, como se encheria deste amor puro, ardente, forte como a morte, que Vossa beleza faz nascer em todos aqueles que A contemplam!... 
__________
Excerto do livro Por que amo Maria, de Padre Júlio Maria, Missionário de Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento (1945)

Observações:

Iniciarei uma série de postagens, que serão publicadas uma vez por semana (às segundas-feiras). Trata-se de excertos do livro Por que amo Maria, de Padre Júlio Maria. Nossa Senhora, sendo nossa co-redentora, merece e deve ser muito amada. Em primeiro lugar, Deus; em segundo lugar, Nossa Senhora. Acima dEla, só Deus. Logo abaixo de Deus, imediatamente Ela. 

Os posts serão divididos da seguinte maneira:

1. A BELEZA DA ALMA DE MARIA, ou a graça acumulada, crescente, exuberante que a embeleza e a torna o objeto das complacências divinas. 

I – O ideal II – Maria, bela em Sua Conceição III- O crescimento contínuo IV- Quae est ista?... V – Maria, resplandecente de glória! VI – Maria, radiante de virtudes VII – Deus, enamorado da beleza de Maria 

2. A BELEZA DO CORAÇÃO DE MARIA, ou o amor sem igual de que Ela está abrasada para com Deus e para com os homens. 

I – A obra-prima do amor II – O amor de Deus III – As causas deste amor IV – O amor supremo V – O amor dos homens VI – O amor da mãe VII – Os princípios deste amor VIII – Os caracteres do amor de Maria para conosco 

3. A BELEZA DO ESPÍRITO DE MARIA, ou os conhecimentos variados e múltiplos da Virgem... irradiação exterior das belezas da alma, do coração e do espírito, através do corpo mais belo e mais puro que jamais houve, depois da humanidade santa do Salvador. 

I – O espírito de Maria II – Os conhecimentos de Maria III – A chave dos corações IV – O retrato de Maria V – O esboço de Maria pelos santos padres VI – Ela era muito bela VII – O sorriso de Maria VIII - Conclusão

Durante 24 semanas teremos essas postagens nas segundas-feiras, iniciando hoje, 31 de Julho, e encerrando no dia 08 de Janeiro de 2018.

Dessa maneira dividida, iremos ler esses pequenos excertos com muita calma, devoção e piedade. Em tempos onde ler um texto grande é de extrema dificuldade, repartindo essas leituras em pequenos textos, creio que ficará agradável para o leitor desfrutar do texto com mais conforto.

Espero que apreciem.

Salve Maria Puríssima.

Melissa Maria Gema Placido.

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"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."

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