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sexta-feira, 16 de junho de 2017

A Salvação: Como alcançar?

S. Padre Pio dando a Sagrada Comunhão

"Suponhamos um homem que vive aqui na terra, sabendo, portanto, que um dia há de morrer. De vez em quando vem à sua procura o Rei dos céus, que sempre lhe está propondo uma ótima ideia: deixar esta terra e ir para o céu, um lugar maravilhoso, onde se tem a vida eterna. Afinal um dia se resolve a aceitar a proposta. Quer ir para o reino deslumbrante de imensas riquezas, onde se vive eternamente a verdadeira vida, a vida bem aventurada.

- Que devo fazer para chegar até o Céu? - Pergunta ele.

- Bem, diz-lhe o Rei dos céus, o céu é lá em cima, você não pode chegar até lá, se continua a caminhar aqui com seus pés fincados na terra. Tem que subir, tem que tomar um avião. 

- A empresa já se está tornando mais difícil. Onde hei de ir conseguir este avião?

- É muito fácil. Você dá comigo algumas passadas e um pouco mais adiante, eu lhe darei um belo avião de presente, para que você possa subir aos céus. Não lhe custa nada; porque este avião eu já o paguei e por muito bom preço. E há também uma coisa: você é quem vai dirigi-lo.

Paremos, aqui um pouco a nossa alegoria para explicar logo os seus símbolos. O homem que vive aqui na terra simboliza aquele que se acha em estado de pecado mortal. Enquanto ele está aqui na terra, isto é, enquanto está em pecado; o fim que o está aguardando é a morte, que no caso representa a morte da alma, ou seja, a condenação eterna. Aqueles primeiros encontros com o Rei dos céus simbolizam a graça atual que procura iluminar, comover e atrair a alma do pecador. O dia em que se resolve a seguir a sua viagem é o dia em que se resolve a seguir a Cristo para ganhar o céu. O avião que ele deve tomar é a graça santificante, que o eleva a uma grandeza sobrenatural, que faz o homem subir, altear-se acima de sua própria natureza, e só assim com a graça santificante é que o homem está em marcha para o céu; enquanto não a possui, ele está na terra, ou melhor no lodo, está em pecado, e não está fazendo nada para a conquista da vida eterna. 

As poucas passadas que o homem dá até alcançar o avião representam as disposições necessárias para o homem receber a graça como são a fé, o arrependimento, a esperança etc, unidas ao batismo, se é um adulto que o recebe, ou à absolvição sacramental, se já foi batizado em criança. Ele vai dirigir, porque desde que é livre, ele próprio é que deve encaminhar-se para o céu. Se é uma criança que o recebe, não precisa dar passada alguma para alcançar o avião; graças ao interesse dos pais dela, o Rei dos céus a coloca na graça santificante e ele mesmo vai dirigindo, até que um dia a criança desperte à luz da razão e nesta hora a direção lhe é confiada. 

Se o Rei dos céus a chama para o seu reino antes disto: eis aí uma pessoa que alcançou o céu sem as obras, justamente como querem os protestantes. O avião da graça santificante nos é dado gratuitamente, porque já foi pago na cruz, o qual por sua morte redentora, mereceu para nós toda a graça que nos é necessária para a salvação.

Mas continuemos com a nossa história.

O rei dos céus dá ao homem todas as instruções necessárias para bem conduzir-se na viagem. Exigirá uma vigilância contínua, muita força de vontade para não afastar-se do roteiro e para enfrentar as tempestades que não faltarão pelo caminho. Mas não deve desanimar, porque o Rei dos céu está com ele, dando-lhe instruções durante toda a viagem ajudando-o em todo o seu percurso. Estará ao seu lado para atendê-lo com gosto, sempre que necessitar de alguma coisa. Dar-lhe-á a alimentação necessária para não desfalecer em meio da sua empresa. Mas é preciso obedecer-lhe, do contrário pode suceder um lamentável desastre. Dadas estas explicações levantam voo.

O homem, a caminho do céu, vai seguindo o seu roteiro, mas nem sempre está firme na direção. Comete algumas falhas, que fazem pequenas avarias no avião. Amedronta-se as vezes com as tempestades, mas junto dele está sempre o Rei dos céus, instruindo-o, aconselhando-o, ajudando-o, fortalecendo-o. No entanto, apesar de toda a assistência de seu guia e protetor, o homem nem sempre se porta com firmeza e perfeição desejadas. E em dada ocasião, comete uma falta grave, porque teima em desobedecer ao seu guia e zás... o avião se desarranja e despenca daquelas alturas. Só não morre o aviador, porque o Rei dos céus lhe fornece um para-quedas. Está novamente na terra e novamente sujeito à morte. Mas está unicamente por culpa sua.

Volta assim ao princípio a nossa história: o Rei dos céus o convida a subir outra vez. Tem que dar com ele algumas passadas e (maravilhosa bondade do Rei dos céus!), outro belo avião é oferecido de presente, porque já foi pago por Ele na cruz, uma vez que as riquezas de sua morte redentora são infinitas. Para encurtar a história, raros são os que fazem a viagem para o céu no primeiro avião que tomaram (a não ser as criancinhas que vão ao céu sem o uso da razão). Muitos são os que despencam de lá de cima repetidas vezes. O nosso herói, por exemplo, já perdeu a conta das vezes em que caiu e voltou para a terra.

Paremos mais uma vez para dar a explicação.

As instruções que dá o Rei dos céus para a viagem são os ensinos de sua doutrina, de sua lei que nos apontam o exato roteiro para o céu. As tempestades que aparecem no caminho são as tentações que ameaçam fazer desaparecer da alma do cristão a graça santificante. O Rei dos céus sempre ao seu lado, ajudando-o, iluminando-o, fortalecendo-o é ainda a graça atual da qual precisa o cristão constantemente, para manter-se no seu estado de união com Deus. 

O alimento que lhe dá o Rei dos céus é a Santíssima Eucaristia, sem a qual não tereis vida em vós (João VI,-54). As pequenas avarias são os pecados veniais. Mas a falha grave que provoca o lastimável desastre é o pecado mortal, que faz desaparecer em nós a graça santificante e nos torna novamente mortos pelo pecado, fora do caminho da salvação. O pára-quedas é a misericórdia divina que dá tempo e espaço ao pecador para regenerar-se, porque Deus não quer a morte do pecador, e sim, que ele se converta e viva (Ezequiel XXXIIi-11). As passadas que ele dá para conseguir novamente um meio de subir para o céu são o exame de consciência, a contrição e a confissão pelos quais recebe outra vez a graça santificante, no sacramento da penitência. 

Agora finalizemos a alegoria.

Afinal, depois de muitas vicissitudes, o Rei dos céus dá por terminada a viagem. 

Bem, - diz ao homem - Você trabalhou e se esforçou para chegar até aqui; também mostrou que confiava na minha palavra. Ora, acontece que aqui na casa de meu Pai há muitas moradas (João XIV-2). Aqui se tem que fazer justiça; Cada um receberá a sua recompensa particular segundo o seu trabalho (1° Corintios III-8). Nem todos aqui tem o mesmo grau de felicidade, da mesma forma que há diferença de estrela a estrela na claridade (1° Corintios XV-41). Você, portanto, vai ter o grau de felicidade que lhe cabe, de acordo com o tempo que passou em viagem (pois o que você passou na terra não conta) e de acordo com o grau de boa vontade, de amor, de obediência, de confiança que mostrou para comigo.

- O Senhor diz que o lugar que vou ter no céu é um prêmio pelo que fiz. Eu me acanho até de ouvir falar nisto. Que é o que fiz, em comparação com o que o Senhor fez comigo? Como eu poderia subir até aqui, se o Senhor não me desse "de graça" aquele avião que para mim tão generosamente adquiriu por tão alto preço? Como eu poderia chegar até o céu, se o Senhor não estivesse sempre ao meu lado, indicando-me o caminho, ajudando-me e confortando-me a todos os instantes? Como eu poderia sair vitorioso nesta empresa, se todas as vezes que por minha culpa fiz despedaçar-se o avião, o Senhor me protegesse com o para-quedas de sua misericórdia e não me desse, mais uma vez gratuitamente, outro avião pra subir? O meu lugar nos céus pode ser prêmio de meus esforços, como o Senhor diz com tanta bondade, porém, mais, muitíssimo mais do que isto, deve ele ser considerado um grande benefício do Senhor para comigo. 

Não é preciso mais explicar a significação do resto. É assim o prêmio do céu. (...) Compreenderam agora nossos "prezados amigos" protestantes? é por isto que S. Paulo, depois de dizer que o estipêndio, o salário, o preço do pecado é a morte, quando nós esperávamos que ele dissesse que, por sua vez, o prêmio, o estipêndio, a recompensa da virtude é a vida eterna, termina a frase de sua maneira imprevista; ele nos diz que a graça, o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Nosso Senhor Jesus Cristo: O estipêndio do pecado é a morte; mas a graça de Deus é a vida perdurável em Nosso Senhor Jesus Cristo. (Romanos VI-23). 

A vida eterna, o prêmio do céu, que está acima da nossa natureza, é uma dádiva que Deus oferece àquele que estava submerso no pecado e que passa, pela misericórdia divina, a revestir-se da graça santificante, gozando da amizade de Deus. E já é vida eterna esta graça que habita no coração do homem, mas vida eterna que precisa ainda ser mantida pela fidelidade, pela cooperação deste mesmo homem. 

Por maior que seja a nossa cooperação, se bem considerarmos toda a história da salvação de uma alma, desde o começo até o fim, em última análise o prêmio do céu é sempre um benefício de Deus, pois Ele nos ajudou em toda a altura.

O fato de dizermos que as nossas obras influem na salvação não nos impede de considerar a salvação um dom de Deus, dom que Ele misericordiosamente oferece a todos; nem tira o valor do sacrifício oferecido por Jesus Cristo na cruz, pois daí é que nos vieram os meios, que nunca teríamos de nos elevarmos acima de nós mesmos, afim de conquistar o céu. Toda a graça que os homens recebem, desde a queda de Adão até hoje, é graça de Cristo adquirida pelo seu sangue no Calvário; e por isto toda a glória dos salvos, dos santos, dos eleitos reverte em justiça e santificação e redenção (I Corintios 1-30) e sem o qual nada poderíamos fazer.

E o fato de termos que dizer, em vista do nosso nada, da nossa insuficiência: Somos uns servos inúteis (S. Lucas XVII-10) não impede a Deus de nos oferecer a sua coroa de justiça: Bem está, servo bom e fiel: já que foste fiel nas coisas pequenas, dar-te-ei a intendência das grandes; entra no gozo de teu Senhor (S. Mateus XXV-23). 
__________

Legítima Interpretação da Bíblia , de Lúcio Navarro.

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