Translate

Procure no blog

quarta-feira, 31 de maio de 2017

Maria Santíssima é Rainha - leitura completa

A Coroação da Virgem Maria, de Diego Velázquez (1641-1644)

Ao se encerrar o ano mariano de 1954, o Santo Padre Pio XII instituiu esta festa para consagrar o mundo à proteção de Nossa Celeste e Poderosa Rainha.

Dia 31 de maio também é a memória litúrgica de Santa Petronila, Virgem mártir, dos primeiros séculos. Clique aqui para ler sua história.

Santa Petronila
Alegremo-nos todos no Senhor, festejando este dia em honra da Bem-aventurada Virgem Maria, nossa Rainha; por sua solenidade se alegrem os Anjos e louvam o Filho de Deus.

"Transbordam palavras sublimes do meu coração. Ao rei dedico o meu canto. Minha língua é como o estilo de um ágil escriba." Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, assim como era no princípio, agora e sempre, e por todos os séculos dos séculos. Amém.

Oração 

Concedei, nós Vos pedimos, Senhor, aos que celebramos a festa da Bem-aventurada Virgem Maria, nossa Rainha, possamos obter, amparados com sua proteção, a paz em nossos dias e glória no Céu. Por Nosso Senhor...

De Santa Petronila

Ouvi-nos, ó Deus, nosso Salvador, e concedei que assim como nos alegramos com a festividade de Santa Petronila, vossa Virgem, assim sejamos por ela instruídos na verdadeira devoção. Por Nosso Senhor...

Leitura

(Eclo 24 5-7, 9-11, 30-31)


"5.Ela diz: Saí da boca do Altíssimo; nasci antes de toda criatura. 6.Eu fiz levantar no céu uma luz indefectível, e cobri toda a terra como que de uma nuvem. 7.Habitei nos lugares mais altos: meu trono está numa coluna de nuvens 9.e percorri toda a terra. Imperei sobre todos os povos 10.e sobre todas as nações. 11.Tive sob os meus pés, com meu poder, os corações de todos os homens, grandes e pequenos. Entre todas as coisas procurei um lugar de repouso, e habitarei na moradia do Senhor. 30.Aquele que me ouve não será humilhado, e os que agem por mim não pecarão. 31.Aqueles que me tornam conhecida terão a vida eterna."


Aleluia, aleluia. V. Bem-aventurada és tu, Virgem Maria, que permanecestes sob a Cruz do Senhor, Aleluia. Agora reinas com Ele sempre. Aleluia.

Gradual - fora do tempo Pascal

(Apocalipse 19, 16)


"16.Ele traz escrito no manto e na coxa: Rei dos reis e Senhor dos senhores!"


Aleluia, aleluia. Salve, Rainha da misericórdia, protegei-nos contra o inimigo e recebei-nos na hora da morte. Aleluia.

Evangelho

(S. Lucas 1, 26-38)


"26.No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré, 27.a uma virgem desposada com um homem que se chamava José, da casa de Davi e o nome da virgem era Maria. 28.Entrando, o anjo disse-lhe: Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo. 29.Perturbou-se ela com estas palavras e pôs-se a pensar no que significaria semelhante saudação. 30.O anjo disse-lhe: Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. 31.Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. 32.Ele será grande e chamar-se-á Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, 33.e o seu reino não terá fim. 34.Maria perguntou ao anjo: Como se fará isso, pois não conheço homem? 35.Respondeu-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. 36.Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, 37.porque a Deus nenhuma coisa é impossível. 38.Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela."


Credo

Ofertório

Descendente de linhagem real, Maria refulge. Com o coração e o espírito cheios de devoção, imploramos ser auxiliados por suas preces.

Secreta

Aceitai, pedimos, Senhor, as dádivas da Igreja, que se alegra, e concedei que ela, em virtudes dos méritos das Bem-aventurada Virgem Maria, nossa Rainha, possam ser de auxílio para nossa salvação. Por Nosso Senhor...

2. Secreta

De Santa Petronila

Seja aceita por vós, Senhor, a oblação que o povo fiel oferece em honra de vossos santos, reconhecendo ter sido socorrido em sua tribulação pelo mérito dos mesmos. 

Communio

Digníssima Rainha do Mundo, sempre Virgem Maria, intercedei por nossa paz e salvação, vós que gerastes Cristo Nosso Senhor, Salvador de todos.

Postcommunio

Tendo recebido esta solenidade para festejar Santa Maria, Nossa Rainha, pedimos-Vos, Senhor, que elas se nos tornem salutares pela intercessão daquela em cuja honra foram realizadas com tanto júbilo. Por Nosso Senhor...

2. Postcommunio

De Santa Petronila

Alimentastes, Senhor, vossa família com os Dons Sagrados. Nós Vos pedimos que a intercessão da santa, cuja solenidade celebramos, sempre nos proteja. Por Nosso Senhor...
__________
Missal Quotidiano - D. Beda (1959)

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Santa Maria Madalena de Pazzi, Virgem


Santa Maria Madalena de Pazzi, filha de pais ilustres, modelo perfeito de vida e santidade, nasceu em Florença no ano de 1566 .

No batismo foi chamada Catarina, nome que no dia do ingresso no convento foi mudado para Maria Madalena.

É uma das eleitas do Senhor, que desde a mais tenra infância dera indícios indubitáveis de futura santidade.

Menina ainda, achava maior prazer nas visitas à Igreja ou na leitura da vida dos Santos.

Apenas tinha sete anos de idade e já começava a fazer obras de mortificação.

Abstinha-se de frutas, tomava só duas refeições por dia, fugia dos divertimentos, para ter mais tempo para ler os santos livros, principalmente os que tratavam da sagrada Paixão e Morte de Jesus Cristo.

Assim se explica o grande amor a Jesus Cristo, que tantas coisas maravilhosas lhe operou na vida.

Não tendo ainda a idade exigida, não lhe era permitido receber a sagrada Comunhão.

O desejo, entretanto, de receber a Jesus na sagrada Hóstia era-lhe tão grande, que os olhos se enchiam de lágrimas, quando via outras pessoas aproximarem-se da santa mesa.

Com dez anos fez a primeira comunhão e foi com indescritível alegria que recebeu, pela primeira vez, o Pão dos Anjos. Ela mesma afirmou muitas vezes que o dia da Primeira Comunhão tinha sido o mais belo de sua vida.

Logo depois da Primeira Comunhão, se consagrou a Deus, pelo voto de castidade perpétua.

Quando contava doze anos, nos seus exercícios de mortificações, chegou a usar um hábito grosseiro, e dormir no chão, a por uma coroa de espinhos na cabeça e a castigar por muitos modos o seu delicado corpo, manifestando assim o ardente desejo de tornar-se cada vez mais semelhante ao Divino Esposo. Quando diversos jovens se dirigiram aos pais de Maria, para obter-lhe a mão, ela pode declarar-lhes:

"Já escolhi um Esposo mais nobre, mais rico, ao qual serei fiel até a morte".

Vencidas muitas dificuldades, Maria conseguiu entrada no convento das Carmelitas em Florença.

Após a vestição, se prostrou aos pés da mestra do noviciado e pediu-lhe que não a poupasse em coisa alguma, e a ajudasse a adquirir a verdadeira humildade.

Tendo recebido o nome de Maria Madalena, tomou a resolução de seguir a grande Penitente no amor a Jesus Cristo e na prática de heróicas virtudes.

No dia da Santíssima Trindade fez a profissão religiosa com tanto amor, que durante duas horas ficou arrebatada em êxtase.

Estes arrebatamentos repetiram-se extraordinariamente, e Deus se dignou de dar à sua serva instruções salutares e o conhecimento de coisas futuras.

O fogo do divino amor às vezes ardia com tanta veemência que, para aliviá-la, era preciso que lavasse as mãos e o peito com água fria.

Em outras ocasiões, tomava o crucifixo nas mãos e exclamava em voz alta: "Ó amor! Ó amor! Não deixarei nunca de vos amar!"

Na festa da Invenção da Santa Cruz percorreu os corredores do convento, gritando com toda a força: "Ó amor! Quão pouco se vos conhece! Ah! Vinde, vinde ó almas e amai a vosso Deus!"

Desejava ter voz de uma força tal, que fosse ouvida até os confins do mundo.

Só uma coisa queria pregar aos homens: "Amai a Deus!"

Maior sofrimento não lhe podia ser causado, do que dando a notícia de Deus ter sido ofendido.

Todos os dias oferecia a Deus orações e penitências, pela conversão dos infiéis e pecadores, e às Irmãs, pedia, que fizessem o mesmo.

Na ânsia de salvar almas, oferecia-se a Deus para sofrer todas as enfermidades, a morte e ainda os sofrimentos do inferno, se isto fosse realizável, sem precisar odiar e amaldiçoar a Deus.

Em certa ocasião disse:

"Se Deus, como a São Tomás de Aquino, me perguntasse qual prêmio desejo como recompensa, eu responderia: 'Nada, a não ser a salvação das almas' ".

Os dias de Carnaval eram para Maria Madalena dias de penitência, de oração e de lágrimas, para aplacar a ira de Deus provocada pelos pecadores.

Para o corpo era de uma dureza implacável; não só o castigava, impondo-lhe o cilício, obrigando-o a vigílias, mas principalmente o sujeitava a um jejum rigorosíssimo; durante vinte e dois anos teve por único alimento pão e água.

Não menos provada foi sua alma; Deus houve por bem mandar-lhe grandes provações.

Durante cinco anos sofreu ininterruptamente os mais rudes ataques de pensamento contra a fé, sem que por isso se tivesse deixado levar pelo desânimo.

Muitas vezes se abraçava coma imagem do crucifixo, implorando a assistência da graça Divina.

Nos últimos três anos de vida, sofreu diversas enfermidades.

Deus permitiu que nas dores ficasse privada ainda de consolações espirituais. Impossibilitada de andar era forçada a guardar o leito.

Via-se então um fato extraordinário: quando era dado o sinal para a Missa ou Comunhão, ela se levantava, ia ao coro e assistia a Missa toda.

De volta para a cela, caía de novo na prostração e imobilidade.

Quando lhe aconselharam abster-se da Comunhão, declarou ser-lhe impossível, sem o conforte deste Sacramento, suportar as dores.

No meio dos sofrimentos, o seu único desejo era: "Sofrer, não morrer".

Ao confessor, que lhe falou da probabilidade de um fim próximo dos sofrimentos, ela respondeu:

"Não, meu padre, não desejo ter este consolo, desejo poder sofrer até o fim de minha vida".

Quando os médicos lhe comunicaram a proximidade da morte, Maria Madalena recebeu os sacramentos da Extrema Unção e do Viático com uma fé, que comoveu a todos que estavam presentes.

Como se fosse grande pecadora, pediu a todas as Irmãs perdão de suas faltas.

O dia 25 de maio de 1607 libertou-lhe a alma do cárcere do corpo. Deus glorificou-a logo, por um grande milagre:

O corpo macerado pelas contínuas penitências, doenças, jejuns e disciplinas, rejuvenesceu, exalava um perfume delicioso, que enchia toda a casa.

Cinqüenta e seis anos depois, em 1663, quando se lhe abriu o túmulo, foi-lhe encontrado o corpo sem o menor sinal de decomposição, percebendo-se ainda o celeste perfume.

Beatificada em 1626 pelo Papa Urbano VIII, foi inserta no catálogo dos Santos em 1669, pelo Papa Clemente IX.

Obras literárias

Santa Maria Madalena de Pazzi escreveu vários livros, mas por enquanto ainda não estão traduzidos para o português. Os seus principais escritos são:

-Libro dei quaranta giorni (Livro dos quarenta dias)
-Libro dei colloqui (Livro dos colóquios)
-Libro delle rivelazioni e intelligenze (Livro das revelações e inteligência)
-Libro della prova (Livro da provação)
-Libro del rinnovamento della Chiesa (Livro da renovação da Igreja)
-Ammaestramenti (Ensinamentos)
-Avvisi (Avisos)

Santa Maria Madalena de Pazzi recebeu a coroa de espinhos de Cristo
em uma visão, provocando-lhe intensa dor pelo resto da vida.

Corpo encontrado incorrupto quando foi exumado, 56 anos após a sua morte.
Está guardado numa tumba de vidro.
Pensamentos de Santa Maria Madalena de Pazzi:

"Verdadeiramente és admirável, ó Verbo de Deus, no Espírito Santo, fazendo com que ele se infunda de tal modo na alma, que ela se una a Deus, conheça a Deus, e em nada se alegre fora de Deus".

"Ó almas criadas de amor e por amor, porque não amais o Amor?".

"Ó Amor não amado, nem conhecido. Ó Amor, faz com que todas as criaturas te amem, Amor"

"Vem, Espírito Santo. Venha a unidade do Pai e do bem-querer do Verbo. Tu, Espírito da Verdade, és o prêmio dos santos, o refrigério dos corações, a luz das trevas, a riqueza dos pobres, o tesouro dos que amam, a saciedade dos famintos, o alívio dos peregrinos; tu és, enfim, Aquele que contém em si todos os tesouros. Vem, tu que, descendo em Maria, realizaste a encarnação do Verbo, e realiza em nós, pela graça, o que nela realizaste pela graça e pela natureza. Vem, tu que és o alimento de todo pensamento casto, a fonte de toda clemência, a plenitude de toda pureza. Vem e transforma tudo o que em nós é obstáculo para sermos plenamente transformados em Ti".

"E parecia-me que a plataforma deste templo foi a elevada mente e o alto entendimento da Virgem Maria. Havia também um altar, e percebi que era a vontade da Virgem. E a toalha do mesmo altar era a sua puríssima virgindade. E o cibório onde Jesus se encontra é o coração da Virgem. E diante do altar vi sete lâmpadas que entendi serem os sete dons do Espírito Santo que igual e perfeitamente se encontravam na Virgem Maria. E sobre o altar encontravam-se doze formosíssimos candelabros que eu percebi serem os doze frutos do Espírito Santo que a Virgem possuía".

"A alma que recebe o Sangue divino torna-se bela como se a vestissem preciosamente, e tão brilhante e fulgurante que, se pudéssemos vê-la, seríamos tentados a adorá-la".

"Quando ofereces o precioso Sangue ao Pai celeste, lhe ofereces um dom tão agradável, que ele se reconhece teu devedor".

"O tempo mais apropriado para crescer no amor de Deus é aquele que se segue após a comunhão".

"A alma que recebe a Eucaristia se torna bela, como que revestida de uma veste preciosa, e tão resplandecente, que, se pudéssemos vê-la, ficaríamos tentados a adorá-la"

"Todas as nossas orações não devem ter outra finalidade a não ser alcançar de Deus a graça de seguir em tudo sua santa vontade"

"Com a obediência estou segura de fazer a vontade de Deus, ao passo que não estou segura dedicando-me a qualquer outra ocupação"

"A perfeita obediência exige uma alma sem juízo próprio"

"Felizes os religiosos que, desapegados de tudo por meio da pobreza, podem dizer: 'Senhor, sois a parte da minha herança' (Sl 15, 5)"

"Certas pessoas querem o meu Espírito, mas querem-no como lhes agrada, tornam-se assim incapazes de recebê-lo"

"Meu Senhor pensou em criar esta flor, desde toda eternidade por meu amor"

"Sim, Jesus, vós estais louco de amor!"

"Deus remunera as nossas boas obras segundo a pureza de intenção"

"Quando pedimos as graças a Deus, ele não só nos atende, mas de certo modo nos agradece"

"A honra de uma pessoa desejosa de vida espiritual está em ser colocada depois de todas as outras e em ter horror a ser preferida aos outros".

"Os olhos da intenção reta inclinam a si os olhos do agrado divino"

"Para a perfeição importa irmos não andando, mas correndo; não correndo, senão voando"

"Só de ouvir nomear o pecado deveríamos morrer de espanto"

"Ai, ai, ai daquele por quem na Religião se introduzir vaidade ou propriedade"

"A estrada para o Paraíso mais limpa, mais breve e mais segura é a Religião"

"Ah! Bom Jesus! Quanta doçura está encerrada nesta só palavra: Vontade de Deus!"

"Dar bom exemplo ao próximo é uma das maiores honras que podemos dar a Deus".

"Sobre o nada da humildade funda Deus o mundo da perfeição"

"Que vergonha! Nós entre rosas, Cristo entre espinhos!"

"A alma vestida de caridade é quase onipotente".

"O Espírito Santo vem à alma, marcando-a com o precioso selo do sangue do Verbo, ou seja, do Cordeiro imolado. Mais ainda, é esse mesmo sangue que O incita a vir, embora o próprio Espírito já por Si tenha esse desejo".
__________
Veja o que já publiquei no blog:

domingo, 28 de maio de 2017

Santo Agostinho de Cantuária

Dia 28 de maio comemora-se Santo Agostinho de Cantuária,
considerado o Apóstolo da Inglaterra.
Clique na imagem e conheça a história de S. Agostinho.


__________



Hoje também comemora-se São Germano, Bispo e Confessor. Leia sua história clicando aqui.  

sábado, 27 de maio de 2017

São Beda, Doutor

Hoje 27 de maio, comemora-se a memória litúrgica de São Beda, proclamado Doutor da Igreja por Papa Leão XIII em 1899. É considerado o pai da História da Inglaterra.


Catedral de Durham, na Inglaterra, onde estão os restos mortais de S. Beda.
Clique na imagem para ler a história de São Beda.

Túmulo de S. Beda na Catedral de Durham

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Novena ao Divino Espírito Santo


Estamos há dez dias da Festa de Pentecostes, uma das festas mais importantes da Santa Igreja, sem dúvida, pois é em Pentecostes que Deus infunde o seu Espírito Santo sobre Maria Santíssima e os Apóstolos, a Igreja nascente. Foi naquele dia que Deus desceu sua Majestade visivelmente no Cenáculo, agraciando com amor a sua Igreja, da qual depende a salvação do mundo.

E para melhor celebrar essa belíssima festa, podemos e devemos realizar uma novena em honra ao Divino Espírito Santo.

A Igreja, ao que parece, não tem nenhuma oração oficial para Novena em Honra a Pentecostes. Porém, o Papa Leão XIII publicou a carta encíclica Divinum Ilud Munus em 9 de maio de 1897. Nesta encíclica Sua Santidade fala da importância do Espírito Santo, e que Ele deveria ser melhor lembrado nas orações, nos devocionários e na própria Liturgia da Igreja.

Não há um modelo específico para realizar a Novena de Pentecostes, mas há as orações escritas por Sua Santidade, e todas são indulgenciadas. 

As indulgências concedidas por Papa Leão XIII são as seguintes:

  1. Uma indulgência de 7 anos e 7 quarentenas em cada dia da novena ao Espírito Santo, feita na igreja ou em particular, se houver legítima causa de não ir à igreja;
  2. Uma indulgência plenária, em qualquer dos mesmos dias da novena ou no mesmo dia de Pentecostes, ou ainda, em qualquer dia da oitava, contanto que o fiel cristão se confesse, comungue e ore na intenção do Sumo Pontífice.
  3. As mesmas indulgências, com as mesmas condições ganha o fiel que em público ou em particular fizer todos os dias da oitava até a festa da Santíssima Trindade, inclusive preces e orações ao Espírito Santo.

**As seguintes orações ao Espírito Santo servem para rezar a novena**

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Oração ao Espírito Santo

Ó Espírito Santo, Espírito de amor e de verdade, autor da santificação das nossas almas, eu Vos adoro como o princípio de minha felicidade eterna. Muitas graças Vos dou, Soberano Dispensador dos benefícios que do Céu recebo e Vos invoco como a fonte das luzes e da fortaleza que me são necessárias para reconhecer o bem e poder praticá-lo. Espírito de luz e de fortaleza, alumiai o meu entendimento, fortificai a minha vontade, purificai o meu coração, regulai todos os meus movimentos , e fazei-me dócil a todas as vossas inspirações. Espírito Consolador, aliviai as penas e os trabalhos que me afligem neste vale de lágrimas, dai-me conformidade e paciência para que eu mereça fazer neste mundo penitência dos meus pecados e gozar no outro a luz da eterna bem-aventurança. Amém.

Sequencia devotíssima

Vinde, Santo Espírito e mandai do Céu o raio da vossa luz. 
Vinde, Pai dos pobres, vinde, ó Distribuidor dos bens, vinde, Ó Luz dos corações.
Vinde, Consolador ótimo, doce Hóspede, e suave alegria das almas.
Vinde, aliviar-lhe os trabalhos, temperar-lhe os ardores e enxugar-lhe as lágrimas.
Ó Luz beatíssima, inflamai o íntimo dos corações dos vossos fiéis.
Sem a vossa graça, nada há no homem, nada que se possa dizer inocente.
Lavai, pois, o que em nós é sórdido, regai o que é seco, sarai o que está ferido.
Abrandai o que é duro, abrasai o que é frio, e reconduzi o desviado.
Concedei aos vossos servos que em Vós confiam o septenário dos vossos dons. 
Dai-lhes o mérito da virtude, o dom da graça final e o glorioso prêmio dos prazeres eternos. Amém. (100 dias de Indulgência)


Oração para alcançar os sete dons e os doze frutos do Espírito Santo


Vinde, Espírito Santo, enchei o coração dos vossos fiéis e acendei neles o fogo do vosso amor! (300 dias de Indulgência)

Ó Espírito Santo, concedei-me o dom do temor de Deus, para que eu sempre me lembre, com suma reverência e profundo respeito da vossa divina presença, trema, como os mesmos Anjos, diante de vossa divina Majestade e nada receie tanto como desagradar aos vossos santos olhos. Glória...

Espírito Santo, concedei-me o dom da piedade que me tornará delicioso o trato convosco na oração, e me fará amar a Deus com íntimo amor como a minha Mãe e a todos os homens como a meus irmãos em Jesus Cristo. Glória...

Espírito Santo, concedei-me o dom da ciência, para que eu conheça cada vez mais a minha própria miséria e fraqueza, a beleza da virtude e o valor inestimável da alma, e para que sempre veja claramente as ciladas do demônio, da carne e do mundo, para poder evitá-las. Glória...

Espírito Santo, concedei-me o dom da fortaleza, para que eu, sem respeito humano, fuja do pecado, pratique a virtude com fervor, e sofra com paciência e com alegria de espírito os desprezos, prejuízos, perseguições e a própria morte, antes que renegar por palavras e por obra ao meu amabilíssimo Senhor e Salvador Jesus Cristo. Glória...

Espírito Santo, concedei-me o dom do conselho, tão necessário em tantos passos melindrosos da vida para que sempre escolha o que mais Vos agrada, e siga em tudo a vossa divina graça, e com bons e caridosos conselhos socorra ao próximo. Glória...

Espírito Santo, concedei-me o dom da inteligência, para que eu, alumiado pela luz celeste de vossa graça, bem entenda as sublimes verdades da doutrina cristã. Ave Maria...

Espírito Santo, concedei-me o dom da sabedoria, a fim de que eu cada vez mais goste das coisas divinas e, abraçado no fogo do vosso amor, prefira com alegria o caminho do céu a tudo que é mundano, e me una para sempre a Jesus, sofrendo tudo neste mundo por seu amor. Ave Maria...

Vinde, Espírito Criador, visitai-me e enchei o meu coração que Vós criastes, com a vossa divina graça. Vinde e repousai sobre mim, Espírito de sabedoria e inteligência, Espírito do conselho e fortaleza, Espírito de ciência e piedade e de temor de Deus.

Espírito Santo, Amor eterno do Pai e do Filho, dignai-Vos também conceder-me o vossos doze frutos: o fruto da caridade que me una intimamente convosco pelo amor; o fruto do gozo que me encha de santa consolação; o fruto da paz que produza em mim a tranquilidade da alma; o fruto da paciência que me faça sofrer tudo por amor de Jesus; o fruto da benignidade que me leve a socorrer de boa vontade aos que sofrem; o fruto da bondade que me torne benfazejo e clemente a todos; o fruto da longanimidade que me faça esperar com paciência em qualquer demora; o fruto da brandura que me faça suportar com toda mansidão as fraquezas do próximo; o fruto da fé que me faça crer firmemente na Palavra de Deus; o fruto da modéstia que regule todo o meu exterior; enfim, os frutos da continência e castidade que me conservem o coração limpo e imaculado.

Espírito Divino, fazei que minha alma seja para sempre vossa morada e o meu corpo vosso sagrado templo. Habitai em mim e ficai comigo na terra, para que eu mereça ver-Vos eternamente no reino da glória. Amém.


Oração ao Espírito Santo pela Igreja


Ó Espírito Santo Criador, assisti benignamente a toda Igreja Católica.  Fortalecei-a e confirmai-a pela vossa divina virtude contra todos os ataques dos inimigos. Renovai também pela vossa graça e caridade o espírito dos vossos servos que ungistes, para que em Vós glorifiquem o Pai e seu Filho Unigênito, Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém. (300 dias de Indulgência)

__________
Adoremus 18ª ed. 1937. Pp. 146-152

São Filipe Néri, Confessor e Fundador

São Filipe Neri

Os santos são modelos para nós. Pelo modelo de suas vidas, nos ensinam de modo concreto como servir a Deus e praticar a virtude. Que lição especial nos dá Filipe Neri? Esse amável Santo italiano nos ensina a “servir o Senhor com alegria” (Salmo 99, 2). Por seu caráter jovial, foi chamado “santo da alegria” ou “o jogral de Deus”. Ele é o padroeiro da santa alegria. Assim, pode ser um poderoso intercessor quando estivermos acabrunhados com o peso da vida ou em nossos períodos de tristeza ou depressão, infelizmente tão frequentes nos dias difíceis que vivemos.

Filippo Romolo Neri, segundo filho de Francisco Neri e Lucrecia da Mosciano, nasceu na bela cidade de Florença, Toscana, Itália, em 21 de unho de 1515. O casal tinha já uma filha, Catarina, nascida dois anos antes, e teria, três anos depois, Elizabetta (ou Isabel). Outro filho, Antônio, morreria em tenra idade.

Filipe foi batizado na igreja São Pedro Gattolino no dia seguinte ao do seu nascimento. O pai, modesto tabelião, era um bom católico. Sua família havia sido nobilitada no serviço do Estado por ter exercido, durante gerações, funções de relevo na cidade.

Menino de apenas cinco anos, Filipe perdeu a mãe. Encontrou na madrasta, Alexandra de Michele Lensi, uma digna sucessora, que o amou como a um filho. Era criança tão amável que logo era chamado “Pippo Buono”, o “bom Filipinho”. Essa bondade de coração e amabilidade contagiantes, permeadas pela Graça divina, seriam no futuro o grande segredo das conquistas do seu apostolado.

Sua irmã Isabel, testemunha no processo de beatificação, diz: “Ele jamais deu desgosto a seu pai, nem fez algo pelo qual o repreendesse (exceto uma zanga feita uma vez à irmã). (...) Pacífico, jamais se zangou; alegre [ou ‘brincalhão’], máxime com a madrasta, manso e paciente” (Cistellini, p.19).

Filipe aprendeu as primeiras letras com um professor chamado Clemente, que lhe ensinou a ler, escrever, contar. Da primeira infância restam-nos dois episódios narrados por seus primeiros biógrafos. Pippo tinha por volta de oito anos quando, num dia em que queria silêncio para refletir, sua irmã o perturbava. Estavam eles no alto de uma escada. O menino não teve dúvidas: aplicou-lhe um empurrão, e ela rolou escada abaixo. O outro fato é visto como a primeira intervenção visível da Providência divina em sua vida: mais ou menos com a mesma idade, Filipe foi brincar num terreiro perto da casa. Vendo uma mula carregada de frutas, de algum vendedor, não hesitou: pulou-lhe no lombo para cavalgá-la. A besta, assustada, desequilibrou-se e caiu. Mula, carga e menino rolaram pelo chão, caindo num profundo porão. Quando os pais e vizinhos acorreram pensando encontrar o menino morto, viram-no ileso e rindo da aventura.

Filipe estudou depois no convento dominicano de São Marcos, de sua cidade natal. Mais tarde dirá que devia muito do seu progresso intelectual a dois professores daquele convento, Frei Zenóbio de Medici e Frei Servanzio Mini.

O comércio ou o divino

Aos 18 anos, Pippo foi enviado para a Vila São Germano, aos pés do Monte Cassino, para a casa do tio (primo-irmão do pai) Bartolomeu Romolo, para ser iniciado na carreira de comerciante. Ganhou a confiança e afeição do tio, mas, apesar de se empenhar no negócio, suas cogitações estavam muito acima das mercadorias com que lidava. Logo se viu que não tinha tino comercial. Apenas terminado o trabalho do dia, retirava-se para alguma igreja ou oratório, abundantes na Itália. Servia-se também do emprego para fazer apostolado, perguntando aos fregueses se sabiam rezar, ou se haviam feito a Páscoa. O tio dizia: “Filipe nunca será bom comerciante. Eu lhe deixaria toda a minha herança, se não fosse a mania de rezar”. Para Filipe, a “mania” era uma necessidade. “Nada ajuda mais o homem do que a oração”, diria mais tarde.

Um local para onde Filipe se retirava com frequência era uma capela de montanha dos Beneditinos de Monte Cassino, construída sobre a Baía de Gaeta, na fenda de uma rocha que, segundo uma tradição, fendera-se na hora da Morte de Nosso Senhor.

Na Cidade Eterna

Em 1534, com 20 anos incompletos, movido por um impulso sobrenatural, sem avisar seus pais ou qualquer parente, Filipe partiu para Roma como peregrino, na mais completa pobreza.

Na Cidade Eterna, procurou Galeotto Del Caccia, aristocrata seu conterrâneo, aduaneiro; em troca de aulas para seus dois filhos, passou a receber pousada e uma renda de farinha, que transformava em pão para seu sustento. Seu quarto na casa do aristocrata era um verdadeiro cubículo, com apenas um leito, uma mesinha e uma corda presa à parede para pendurar suas roupas.

Filipe destinava quase todo seu tempo livre à oração. Sua vida era tão pura e edificante que logo chamou atenção: começou a se espalhar a sua fama de santidade, – fama que chegou até Florença. – Quando falaram dele à sua irmã Isabel, ela disse: “Não me surpreende. Desde seus primeiros anos, vendo suas virtudes, eu podia já conjeturar que se tornaria um grande santo”.

Estudos

Depois de dois anos de vida reclusa, Filipe resolveu recomeçar seus estudos, cursando Filosofia no Estudo Geral dos agostinianos. – Alguns de seus mestres participaram ativamente no Concílio de Trento. – Cursou ainda Teologia na Universidade La Sapienza. Esses estudos foram de pouca duração. Explica seu discípulo, Cardeal César Barônio: “Toda a organização acadêmica do tempo, o sistema escolástico, era-lhe áspero: as disciplinas filosóficas eram para ele verdadeiras cadeias, das quais logo se decidiu livrar... Dir-se-á, em seguida, que o fato de abandonar o estudo se dera pelo quotidiano encontro, nas aulas, de um grande crucifixo, que o comovia às lágrimas” (Cistellini, pp. 27-8).

Algumas fontes mostram que, em 1538, quando julgou ter aprendido bastante, Filipe vendeu seus livros para socorrer os pobres. Assim ajudou um jovem sacerdote calabrês em dificuldades, Guilherme Sirleto, que depois seria cardeal. Todavia, embora não tenha mais estudado com regularidade, sempre que chamado a dar seu parecer, apesar da habitual reticência, surpreendia os eruditos pela profundidade e clareza de seus conhecimentos teológicos. De fato, “até seus últimos anos discutia as questões mais elevadas e sutis com tanta facilidade e erudição como os que consagram a vida ao estudo. Não se esqueceu mesmo das controvérsias mais importantes, e espantava ouvi-lo repetir com exatidão, os sentimentos dos doutos sobre tais questões, e os raciocínios nos quais se apoiavam”(Guérin, p.217). Despojando-se dos livros, Filipe manteve dois: a Suma Teológica e a Bíblia. Considerava Santo Tomás o teólogo por excelência, e sempre, nos debates, apoiava-se no Doutor Angélico.

Foi provavelmente durante o ano em que servia como tutor dos filhos de Caccia que Filipe escreveu a maior parte de suas poesias, em latim e italiano, que, infelizmente, não passaram à posteridade, pois Filipe, antes de morrer, queimou todos os seus escritos, restando apenas alguns sonetos. Isso explica o pouco que temos de material de seu próprio punho.

Cristo no próximo

Por dezessete anos Filipe viveu como leigo, sem pensar em tornar-se sacerdote. Tendo conseguido juntar um pequeno pecúlio para atender às suas parcas necessidades, entregou-se totalmente ao apostolado com os doentes e pobres, o que lhe valerá mais tarde o título “Apóstolo de Roma”. Passou a frequentar os hospitais da cidade, e se inscreveu na confraria de Santa Maria da Purificação para assistência dos enfermos no Hospital São Tiago dos Incuráveis. Mesmo leigo, em harmonia com a assistência material Filipe pregava a todos a Palavra divina. O Santo passou a fazer, ainda, a visitação das “sete igrejas” (S. Pedro, S. Paulo extra-muros, S. Sebastião, S. João de Latrão, S. Lourenço extra-muros, Sta. Maria Maior e Sta. Cruz de Jerusalém) antiga devoção popular que depois legou ao Oratório.

Filipe e Inácio

Por aquele tempo, Filipe frequentava a igreja Santa Maria da Estrada, dos primeiros jesuítas; assim conheceu Santo Inácio de Loyola. Consta que esse Santo quis Filipe entre os seus, para enviá-lo às Índias, mas este preferiu aguardar os desígnios de Deus. Entretanto, enviou muitos recrutas para a recém-fundada Companhia de Jesus. Santo Inácio dizia que Filipe era como um sino, que chama os demais para entrar (na igreja), ficando do lado de fora...

O Pentecostes de São Filipe Neri

No ano 1544, – no qual Filipe dizia que tivera início a sua “conversão”, – Filipe estava na Catacumba de São Sebastião rezando ao Espírito Santo, quando se deu o grande milagre que ele próprio narrou ao cardeal Federico Borromeu.

Pouco antes da Festa de Pentecostes daquele ano, após a aparição de São João Batista, “golpeou-o um ímpeto de ardor, uma irrupção do Espírito Santo que o fez cair por terra e marcou seu corpo” (Cistellini, pp.30-31). Sobre tal, afirmou Vittori, seu médico: “Dizia-me que, aos trinta anos, tinha grande fervor e pedia ao Espírito Santo que lhe desse um cúmulo de espírito; disse-me que lhe fora dado tanto que o lançou por terra. Ao se levantar, sentiu elevado o peito e uma contusão por dentro, a qual durou enquanto viveu” (Cistellini,p.31).

Seu biógrafo Pietro Giacomo Bacci descreve assim o que sucedeu: “Quando ele estava com o maior empenho pedindo os Dons do Espírito Santo, apareceu-lhe um globo de fogo que entrou por sua boca e se alojou em seu peito; em seguida, ele ficou tomado por tal fogo de amor que, incapaz de suportá-lo, atirou-se ao solo; como alguém que tenta se refrescar, despiu seu peito para de algum modo moderar a chama que sentia. Após permanecer assim por algum tempo e recuperar-se um pouco, levantou-se cheio de inusitada alegria, e imediatamente todo seu corpo começou a tremer violentamente; pondo a mão no peito, sentiu no lado do coração um inchaço grande como o punho de um homem; mas, nem então nem depois, isso provocou a mais leve dor ou ferida” (Ritchie, op.cit).

Quando, depois da morte, os médicos examinaram seu corpo, constataram que o coração estava dilatado e que, para que houvesse espaço suficiente em seu peito para mover-se, haviam se quebrado duas costelas, que tomaram a forma de arco. Um dos médicos que fez a autópsia, Andrea Cesalpino, declarou: “Percebi que as costelas estavam rompidas naquele ponto, isto é, separadas da cartilagem. Só dessa maneira era possível que o coração tivesse espaço suficiente para levantar e abaixar. Cheguei à conclusão de que se tratava de algo sobrenatural, de uma providência de Deus para que o coração, batendo tão fortemente como batia, não se ferisse contra as duras costelas”.

Devorado pelo fogo divino

S. Filipe, por Guercino

A partir desse milagre, seu coração palpitava violentamente a cada ação espiritual que praticava. “Crescia esta palpitação (...) estando em oração, e às vezes o fazia tremer, bem como a cadeira ou cama onde se achava, e até mesmo o aposento, como se fosse um terremoto. Sentia ele também, naquela parte, um calor tão excessivo que, por mais frio que fizesse, e sendo já muito velho, era obrigado a desabrigar o peito e, às vezes, sendo inverno, abrir as portas e janelas do aposento para compensar o fogo que se espalhava por todo seu corpo” (Ribadeneira, pp.332).

O berço do Oratório

Por volta de 1547, Filipe passou a frequentar a igreja da Arquiconfraria de São Jerônimo da Caridade. Ali vivia um grupo de sacerdotes seculares de vida exemplar, constituindo pequena comunidade. Cada um vivia livremente das próprias rendas, a serviço do templo e da Confraria, tendo mesa em comum. Não se obrigavam a votos. Foi este o berço do Oratório de São Filipe Neri.

Por sua boa fama, tal igreja passou a ser o ponto de referência para eclesiásticos chegados a Roma, entre os quais estarão alguns dos filhos mais queridos de Filipe. Foi ali que o Santo encontrou seu primeiro confessor (primeiro de que se têm notícia), padre Persiano Rosa, a quem se afeiçoou pelo ânimo alegre e espírito sereno. Nesse tempo Filipe começou suas conquistas entre seus jovens conterrâneos, aprendizes e empregados de banco. Sentia-se atraído especialmente a cuidar dos jovens. Para pô-los em guarda contra as seduções da idade e conservar o frescor da virtude, dizia-lhes que se lembrassem sempre das palavras do Profeta: “Bem-aventurado o homem que leva o jugo do Senhor desde a juventude”; e os exortava à mudança de vida. Sua voz e suas maneiras eram tão atraentes que muitos, cedendo ao seu exemplo e benigna influência, renunciavam às frivolidades do mundo e se entregavam totalmente a Deus. Consta que, numa só ocasião, converteu trinta jovens dissolutos.

Confraria da Santíssima Trindade

Em 1548 Filipe fundou, com Persiano Rosa, a Confraria da Santíssima Trindade. Sua finalidade era totalmente devocional, com preeminência ao culto eucarístico. Os confrades se reuniam na igreja de São Salvador in Campo para a Comunhão e exercícios de piedade. Aí o Santo introduziu pela primeira vez em Roma a exposição do Santíssimo Sacramento, na devoção das 40 Horas. Durante o ano jubilar de 1550, o Vicariato de Roma conferiu à Confraria uma nova e estável finalidade: a assistência aos peregrinos e convalescentes que, saindo do hospital, necessitavam ainda cuidados. Crescendo a associação, “as obras que os confrades exercitavam com os peregrinos e convalescentes causaram tanta edificação que muitos quiseram imitá-los, vindo pessoas de grande qualidade e prelados eclesiásticos servir aos pobres; até o papa Clemente VIII vinha lavar-lhes os pés, abençoando-lhes muitas vezes a mesa, e servindo-lhes nela” (Ribadeneira, p.333).

Não contente com a visita a hospitais, Filipe se punha também a percorrer ruas e praças, falando às pessoas sobre a religião e as coisas de Deus, de maneira comovedora e cativante. A um perguntava: “Então, meu irmão, quando é que começamos a amar a Deus?”; a outro: “É hoje que nos decidimos nos comportar bem?” Era, sobretudo, um semeador da santa alegria dos filhos de Deus.

Costumes angélicos

Como um ímã, Filipe continuava a atrair gente para seu grupo. Era todo fervor e alegria; entretinha o crescente núcleo de discípulos com fervorosos sermões. Atingia o auge da maturidade, sendo assim descrito por um conterrâneo: “Era de belíssimas feições (...) e sempre foi tido como de grande bondade e de costumes angélicos”. Sua natureza “sempre alegre e prazenteira”, seu rosto “alegre e jovial”, sua “hilaridade” (atributo que se nomeia com frequência) concorrem até agora para explicar o fascínio que vai exercendo, e sua crescente popularidade” (Cistellini, pp.36-37).

Seus discípulos o admiravam profundamente e testemunharam: “Com todos se familiarizava: crianças, grandes, medianos, mulheres, senhores, cardeais, prelados. Todas as pessoas que falavam com o Padre uma vez, regressavam, e não podiam se separar dele” (Cistellini, p.73). O Cardeal Panfili afirma: “Era afável, agradável e carinhoso com todos, de modo que, com grandíssima facilidade e alegria, atraía para o caminho de Deus qualquer pessoa que com ele tratasse, e eram raros os que escapavam de suas mãos” (idem).

Amor à Eucaristia e à Santíssima Virgem

S. Filipe e a Virgem Maria,
por Giovanni Battista Tiepolo

Outra nota marcante na vida de Filipe Neri foi o amor pela Eucaristia. Era tão grande seu fervor que, em vez de se concentrar na celebração da Missa, tinha que procurar deliberadamente uma distração, para ser capaz de prestar atenção no rito externo do Sacrifício.

“Deus o gratificou com extraordinários carismas: êxtases, levitações (especialmente durante a Celebração eucarística), discernimento dos espíritos, predições, intuição das profundidades do coração, intervenções prodigiosas para os enfermos” (Cistellini, p.66).

Também “junto com o culto eucarístico, na experiência e na direção, tem notória relevância a devoção à Virgem, que Filipe recomenda como elemento indispensável no progresso da virtude. Sua experiência (...) de uma devoção mariana terna, afetiva, quase infantil, o leva a sugerir aos seus uma singela e compendiada jaculatória repetida como um rosário: ‘Virgem Maria, Mãe de Deus, roga a Jesus por mim’”(Cistellini, p.122-123).

Sacerdote para a Eternidade

S. Filipe Neri e a Consagração, por Juan Llimona

Quando Filipe tinha 36 anos, o Pe. Rosa ordenou-lhe, em nome de Deus, que se ordenasse sacerdote. Somente assim, depois de mais estudos, foi-lhe conferido o sacerdócio, a 29 de maio de 1551.

Como sacerdote, o Santo dedicou-se especialmente ao confessionário, onde passava grande parte do dia. “Dedicou-se ao exercício da confissão, no qual consumiu o resto de seus dias”, dirá um de seus discípulos. “O título ideal, que o qualificará para sempre, será o de confessor, conselheiro, guia e mestre das almas” (Cistellini, p.40). Muitos de seus penitentes, levados pelo desejo de recolher a doutrina do pai espiritual, passaram a visitá-lo diariamente. “Pouco a pouco os discípulos se tornaram tão numerosos que foi preciso se reunirem numa igreja; por fim, a concorrência cresceu tanto que foi necessário distribuir grupos, à frente dos quais o mestre punha seus discípulos mais capazes. Assim nasceu o instituto do Oratório, sem mais regras que os cânones, sem mais votos que os compromissos do batismo e da ordenação, sem mais vínculos que a caridade”(Urbel, p.457).

O número de seguidores crescia. Um sapateiro, um miniaturista, um notário, outros que convertera quando leigo... As reuniões com o grupo eram informais. “No princípio, liam-se páginas edificantes e interessantes, de fácil compreensão; seguia-se um comentário do Padre. (...) Alguém tomava a palavra, dialogava-se e se continuava discorrendo durante longo período, sem um programa determinado” (Cistellini, p.42).

Entre seus discípulos estavam Francisco Maria Tarugi, nobre de Montepulciano aparentado com o Papa, depois Arcebispo de Avinhão e cardeal; o célebre historiador da Igreja Cesar Barônio, doutor em leis, admitido ao grupo em 1557 e que seria dos primeiros a receber o sacerdócio, e depois o sucessor de Filipe na direção do Oratório, e que também se tornou cardeal.

O sonho das Índias

Ouvindo contar as maravilhas operadas por São Francisco Xavier na Índia, e de outros missionários no Novo Mundo, Filipe e seus discípulos pensavam muito em ir também ao Oriente. Entretanto, querendo conhecer a Vontade de Deus, São Filipe procurou outro Santo: Agostinho Ghettini, religioso cisterciense, seu conterrâneo muito favorecido por Deus, pedindo-lhe que consultasse o Senhor sobre esse seu projeto. A resposta divina foi: “Filipe não deve buscar as Índias, mas Roma, onde o destina Deus, assim como a seus filhos, para salvar almas”. Mais tarde, Filipe diria aos discípulos: “Quem faz o bem em Roma, o faz a todo o mundo”.

A singular Congregação

O Oratório surgiu, como vimos, muito modestamente. Sua denominação veio da extensão da palavra, que no princípio se referia a um pequeno edifício, a um sinônimo de confraria. “Foi desde o princípio uma experiência de agrupamento totalmente singular, nem sequer poderia chamar-se de associação, porque era de participação livre, sem estatutos e elenco de inscritos; uma acolhida espontânea, regulamentando-se necessariamente na prática”.

“Ao longo de todo o processo de restauração que se construía na Igreja [no século XVI], o aporte de Filipe foi, sem dúvida, o de modelar e propor – com sua esplêndida vida e através de sua restringida família presbiteral – a singela figura do sacerdote secular, em sua expressão original e genuína”.

“Exatamente por suas características singulares, esta família sacerdotal é absolutamente um unicum na Igreja: não existem instituições, entre inumeráveis, afins a esta. Afirmava-o com autoridade o primeiro sucessor de São Filipe, o padre (depois cardeal) César Barônio, apresentando o texto das Constituições revistas por ele. A Igreja, recordava ele, é a rainha das vestes de jaspe celebrada pelo salmo Circumdata Varietate (Sl 44). A Congregação do Oratório se preza por representar, em sua humilde particularidade, um dos tantos vestidos reais da santa Igreja de Cristo” (Cistellini, p.42).

“O exercício quotidiano da palavra de Deus ‘de modo fácil, familiar, frutífero’ representava a essência particular do Oratório... Neste sistema oratoriano não há nada de escolástico, de retórico, de difícil compreensão: falar ao coração era o método: ‘exortações e fervores mais afetivos que intelectuais’ eram os assim chamados ‘arrazoados’. Filipe não quis jamais que o oratório ‘entrasse em coisas escolásticas’, para as quais não faltavam escolas ou cátedras em Roma” (Cistellini, p.53).

Em 1564 Filipe também ficou encarregado da igreja de São João dos Florentinos, para lá mandando alguns de seus discípulos. E, em 1575, o papa Gregório XIII concede ao querido filho Filipe Neri, sacerdote florentino e preposto de alguns sacerdotes e clérigos, a igreja de Santa Maria in Vallicella, dedicada à Natividade de Maria (bula Copiosus in Misericordia). Esta bula “ficará como o documento solene de fundação da sociedade oratoriana. A agrupação designada expressamente com esta locução pela bula de Oratorio Nuncupandam, define a congregação por antonomásia: ‘Congregação do Oratório’... Nas Constituições aprovadas pelo papa Paulo V em 1612, o Pontífice declara expressamente que tal convivência presbiteral (mais tarde se agregarão irmãos leigos), ‘instituída por divina inspiração pelo santo Padre Filipe’, estava cimentada só pelo vínculo da caridade, fora de todo vínculo por voto, juramento ou promessa, e assim devesse perseverar na igreja santa ‘de vestiduras variadas’ (Sl 44)” (Cistellini, pp.142-143).

História, apologética e música

Para combater o protestantismo, São Filipe encarregou o discípulo César Barônio de escrever uma verdadeira e documentada História da Igreja, refutando as falsas versões dos heréticos.

O futuro Cardeal levou trinta anos para produzir os seus monumentais Annales Ecclesiatici, que se tornaram paradigma de historiografia católica e mereceram ao seu autor o título de Pai da História Eclesiástica.

Também a música tinha papel importante no apostolado de São Filipe. Ele introduziu, entre os sermões e no final, o cântico de motetes latinos e italianos. E, como ao Oratório acorreram muitos com talento musical, a música ficou nele incorporada como parte importante de sua espiritualidade.

São Filipe era o “Santo da Alegria” mas nunca olvidou sua dignidade e responsabilidade. Exigia dos membros e hóspedes do nascente Oratório obediência total, sob pena de expulsão. Ao morrer, deixou um documento no qual fazia severo juízo sobre vários membros da Congregação, não os querendo como sucessores. Chegou a denunciar ao Santo Ofício como herege a um dos seus mais antigos discípulos. Este, mantido na prisão por um ano, foi depois absolvido. Entretanto Filipe não quis recebê-lo de volta na comunidade, apesar das súplicas de autorizados intercessores.

São Filipe e o Papa

Apesar de ardoroso defensor do Papado, houve um momento em que Filipe discordou do Soberano Pontífice. Foi quando se tratou de aceitar a conversão, e consequente habilitação, do uguenote, futuro Henrique IV, para o trono da França. “Clemente VIII mostrou-se indeciso e vacilante. Filipe mostrou-se desde o primeiro momento partidário da reconciliação, e aconselhou ao Papa nesse sentido, mas sem lograr dele uma decisão eficaz. Filipe atuou através de Barônio, confessor do Papa. Deu-lhe instruções no sentido de que, inclusive, lhe negasse absolvição enquanto não aceitasse um conselho reconciliatório. Barônio triunfou nesta empresa tão delicada. A França contará mais adiante a Filipe entre seus santos protetores”.

Calúnias e incompreensões

Como todos os santos, Filipe enfrentou muitas calúnias. O próprio Cardeal-Vigário de Roma, levado por algum preconceito e pelos rumores de que o santo mantinha assembleias perigosas e semeava novidades entre o povo, chegou a repreendê-lo severamente, retirando-lhe a licença para atender confissões durante quinze dias. Mas, tendo o purpurado adoecido repentinamente, o papa Paulo IV, chamado a julgar o caso, não só absolveu como recomendou-se às orações de Filipe. 

O “Santo da Alegria” entregou sua alma a Deus em 26 de maio de 1595, sendo canonizado apenas 27 anos depois, juntamente com Santo Isidoro Lavrador, Santo Inácio de Loyola, São Francisco Xavier e Santa Teresa de Ávila.

Efígie de S. Filipe em seu túmulo

Máscara mortuária, que preservou para a posteridade
os contornos da face do grande do santo
O corpo de S. Filipe Neri está na Igreja Santa Maria em Vallicella,
ou Chiesa Nuova (Igreja Nova), em Roma. Acima de seu corpo a cópia
de uma pintura de Guido Reni

Os oratorianos no Brasil, atualmente, só existem na cidade de São Paulo. Há uma Igreja dedicada a São Filipe Neri, no Parque São Lucas, onde há o Seminário dos Oratorianos. 

Padres oratorianos de São Paulo.
Sentados a partir da direita: Pe. Fabiano Micali,
Pe. Paulo Sampaio Sande e Ir. Danilo.
Site dos oratorianos em São Paulo: http://www.arquisp.org.br/regiaobelem/paroquias/paroquia-sao-filipe-neri/matriz-paroquial-sao-filipe-neri


***

Reflexão

[palavras minhas]

São Filipe Néri nos deixa um grande e mágico exemplo a seguir. Na infância perdeu a mãe quando tinha apenas cinco anos de idade e foi criado por uma madrasta, que não era má, ao contrário, foi sempre muito boa. Tinha uma vida familiar com um ótimo convívio entre o pai, as irmãs e a madrasta. Sempre foi um menino muito bom e, principalmente alegre. Sempre protegido por Deus. Uma criança de apenas cinco anos teve tanta desenvoltura para viver uma vida alegre, apesar de ter perdido um dos maiores tesouros que temos na terra, a nossa mãe. Mas não se abateu. Rezava, e sem dúvida rezava sempre por sua mamãe, pois era um bom filho. E isso é uma obrigação para quem quer entrar no Reino de Deus, rezar pelos seus defuntos. Mas, será de onde veio tanta piedade para uma criança, que dificilmente tem um discernimento acerca dos ofícios divinos sozinha? Da família. Sim, um pai católico e piedoso, uma mãe extremosa e em seguida as irmãs e a madrasta... olha que maravilhas uma família piedosa fazem a uma criança! Despertaram logo no menino a vontade, que já era nata, em rezar sempre, e ser sempre alegre. Que grande bênção tornar crianças assim. Uma criança que cresce com as práticas de oração e da sã doutrina, só pode ter uma vida adulta pia. Que grande graça ser assim. Que fique de exemplo a todas as famílias. Já adulto, sempre falava de Deus, sempre rezava, sempre visitava igrejas. E foi leigo por muitos anos antes de tornar-se sacerdote. Mas como leigo, que excelente trabalho fez. Que sigamos o exemplo dele enquanto leigo, o de levar Cristo aos mais necessitados; o de fazer caridade, de amar ao próximo. E tudo isso com a sua principal característica: com alegria! E, enquanto sacerdote, que fique outro exemplo: de tratar a todos com alegria e simplicidade, mas com responsabilidade e serenidade também. Lembremos também que São Filipe Neri não tinha obediência cega ao Papa, e isso fica de exemplo para nós também, principalmente na era de Bergoglio. Ah! E só em saber que foi canonizado com Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa D'Ávila, São Francisco Xavier e Santo Isidoro Lavrador, já sabemos que é um grande santo.

***
__________
Texto visto em: http://www.ofielcatolico.com.br/2005/07/sao-filipe-neri-o-apostolo-da-santa.html e https://en.wikipedia.org/wiki/Philip_Neri e https://es.wikipedia.org/wiki/Felipe_Neri e https://es.wikipedia.org/wiki/Chiesa_Nuova
Obs,: O texto está com correções e adaptações feitas por mim.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

A Tradição é linda.

A Tradição é linda.

Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."