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quinta-feira, 4 de agosto de 2016

São Domingos de Gusmão, Confessor, Fundador e Doutor


Família

Dom Félix de Gusmão e Dona Joana de Aza formaram um casal feliz. Seus filhos Antônio, Mares e Domingos são o melhor testemunho de vida conjugal que Deus chamou a Seu santo serviço. Antônio foi sacerdote e dedicou sua vida ao serviço dos pobres e doentes num hospital. Domingos, o caçula da família, também foi escolhido por Deus para ser sacerdote da Diocese de Osma, e Pai e Fundador da grande Família Dominicana. Manes seguiu os passos de seus irmãos. Vestiu o hábito de irmão pregador e se dedicou ao anúncio da Palavra de Deus. (p.16)

A mãe tem um sonho que revela a missão de São Domingos

Dona Joana era uma mulher muito querida por ser compassiva e generosa com os pobres e necessitados. (p.19)

Conta a tradição que Dona Joana, quando grávida de Domingos, certa noite sonhou que dava à luz um cachorro branco e preto que segurava na boca uma tocha, com a qual ia incendiando o mundo por onde passava. Preocupada com um sonho tão singular, foi visitar o mosteiro de São Domingos de Silos, próximo a Caleruga, e pediu ao monge que fizesse a interpretação daquele sonho. Na intimidade de sua oração, ouviu a seguinte resposta: “Seu filho será um fervoroso pregador do Evangelho e com sua palavra atrairá muitos à conversão e alertará os pastores da Igreja contra seus inimigos”. (p.20)

Esta resposta tranquilizou Dona Joana, que esperou pelo tempo em que o Senhor cumpriria o Seu desígnio. Por isso, os escultores e pintores representam São Domingos de Gusmão acompanhado de um cão com uma tocha na boca, com uma significativa legenda: “Domini canis”, isto é “Cães do Senhor”. (p.21)

O batismo

O menino do sonho misterioso nasceu a 24 de junho de 1170. Foi batizado na Igreja paroquial de São Sebastião de Caleruega e, em gratidão a São Domingos de Silos, seus pais lhe puseram o nome de Domingos. (p.22)

Durante a cerimônia do Sacramento do Batismo, sua mãe viu uma luz à frente do menino, com um resplendor extraordinário. Desde então, essa luz nunca mais deixou de iluminar seu rosto. Depois de cinquenta anos, irmã Cecília Romana, discípula de São Domingos, escreveu: “De sua face saía certo resplendor que seduzia a todos e arrastava-os ao seu amor e reverência”. Esta maravilhosa graça é representada por uma estrela na testa de Domingos; por isso, a liturgia dominicana canta: “Oh! luz da Igreja, doutor da verdade…pregador da graça…” (p.23)

Milagre do vinho

Joana era muito compreensiva. Vendo a miséria dos pobres, doava muito de seus bens, distribuía também vinho de um certo tonel. (p.24) Nestas circunstâncias, chega Dom Félix, cansado e Dona Joana não tem uma gota de vinho para oferecer ao seu esposo, pois tinha dado tudo aos pobres. Naquele momento, lembra-se da maravilhosa passagem bíblica das Bodas de Caná da Galiléia e, tomando o menino Domingos nos braços, prostra-se em oração. Deus escuta seus pedidos e premia sua caridade, fazendo aparecer vinho no tonel…e logo veio o elogio do velho espanhol: “Dona Joana, que vinho tão saboroso!”… (p.25)

O estudo da “Lectio divina

O estudo da “sagrada página” ou “lectio divina”, como se costumava chamar o estudo da Teologia na época, ocupava-lhe todo o dia e parte da noite. Verdadeiramente, era incansável quando se tratava de estudo. Era um estudante austero e mortificado. Abstinha-se de beber vinho e daqueles passatempos que a juventude apreciava. Domingos vivia atento às necessidades do próximo e sentia-se profundamente solidário com os sofrimentos do outro. Fez de sua casa, a “casinha de esmola”, o dispensário onde os pobres podiam encontrar alimentos, roupas e até dinheiro para comprar a liberdade de algum cristão cativo dos mouros. (p.37)

Os seus livros foram entregues parar ajudar os pobres

O método seguido na época obrigava a estudar os comentários bíblicos dos Santos Padres. As questões de difícil interpretação eram submetidas a uma disputa pública, (que) terminava com o ditado de alguns comentários explicativos, chamados “glosas”. O aluno copiava-os em tábuas de cera e, ao voltar para casa, transcrevia cuidadosamente em seus livros de pergaminho, especialmente preparados com couro de cabra; eram, pois, muito valiosos. (p.34)

Comovido pela extrema situação dos pobres, entregou tudo o que possuía e, quando já não tinha o que repartir, não duvidou em vender os seus livros de pergaminho, escritos por seu próprio punho. Quando seus mestres e companheiros tentaram impedi-lo, Domingos respondeu: “Não quero estudar com peles mortas, enquanto os homens morrem de fome”. (p.39)

A humildade de São Domingos de Gusmão

Certo dia, uma pobre mulher apresentou-se a Domingos, suplicando-lhe, com lágrimas nos olhos, uma ajuda em dinheiro, para resgatar seu irmão, feito prisioneiro pelos mouros. Naquele momento, Domingos estava sem dinheiro e não sabia como ajudá-la. Então, “cheio do espírito de caridade, colocou-se à venda para resgatar o prisioneiro”…Assim, Domingos entendeu que o povo necessitava de outro tipo de ajuda. Oportunamente, Deus enviar-lhe-ia um mensageiro para ensiná-lo. (p.40-41)

São Domingos, Cônego Regular

Na Universidade, Domingos conheceu e fez amizade com seu professor, Diego de Azevedo, cônego e prior do Cabido de Osma. A ele abriu seu coração e manifestou o desejo de ser sacerdote. (p.44) Desde aquele dia, Domingos começou a pertencer ao Cabido de Osma. Professou e jurou observar a Regra de Santo Agostinho, vestindo o hábito dos cônegos regulares. Desse modo, Domingos, incorporou-se definitivamente nesta feliz comunidade, no ano de 1196, com apenas vinte e seis anos de idade. Por sua profissão religiosa, renunciou à posse de bens. Visto ser de uma família rica, poderia herdar muitos bens e comodidades próprias de sua condição social. Deste modo, Domingos entrou pelo caminho estreito do segmento de Cristo, “que sendo rico se fez pobre por nós, para nos enriquecer com sua pobreza”. (p.45)

De acordo com seu novo estado de vida, Domingos passava longas horas do dia e da noite em oração e em discernimento dos projetos de Deus sobre sua vida. (p.47)

Compaixão de São Domingos Gusmão

Domingos, cuja vida estava plenamente identificada com a de Cristo, “se comovia até a alma e chorava” pelos pecadores, pelos pobres, pelos doentes…

Em suas orações aos pés do Sacrário, torrentes de lágrimas banhavam seu rosto, e seus irmãos podiam ouvir os gemidos de sua alma, aflita pelos sofrimentos da humanidade. (p.52)

Suplicava entre soluços: “Senhor, que será dos meus irmãos pecadores?” Este era o gemido freqüente de sua alma… (p.114)

Facilmente concede dispensa a seus irmãos, porém não se dispensa a si mesmo jamais. Tanto saudável quanto doente, observava todos os jejuns prescritos pela Regra. (p.173)

“O Prior tenha no seu convento a faculdade de dispensar os irmãos, quando achar conveniente, principalmente aquele que impede o estudo, a pregação, e a salvação das almas; portanto, nosso empenho deve dirigir-se, em primeiro lugar e com plena dedicação, que possamos ser úteis as almas do próximo”. (p.177)

Domingos não só pregava ao povo e aos hereges “quase que diariamente”, mas também aos irmãos. Queria que sua pregação fosse uma contínua conversão de todos. (p.179)

Ordenação Sacerdotal

A ordenação sacerdotal de Domingos, aos 25 anos, veio dar resposta à sua inquietude. O seu sacerdócio deu-lhe a faculdade de pregar o Evangelho. (p.55)

O dono da hospedaria convertido

Dom Diego, Domingos e sua comitiva foram acolhidos numa hospedaria, de acordo com a dignidade de uma comitiva real. O cansaço de uma longa viagem a cavalo, não foi empecilho para que Domingos dedicasse seu tempo em conversar com as pessoas que ali se encontravam. O hospedeiro, escandalizado e confuso, ao ver o bispo cavalgando em cavalos adornados, disse a Domingos:

-Devemos evitar a riqueza, porque a matéria é má e devemos viver segundo o Espírito.

-Você parece ser um cátaro, disse Domingos.

-É verdade, disse o hospedeiro.

-Diz-me, irmão – argumentou amavelmente Domingos – se a carne é má, por que o Verbo de Deus tomou nossa carne?

O hospedeiro refletiu alguns instantes e, não encontrando resposta, disse em meia voz:

-Talvez tenha razão…deixe-me pensar…

O dialogo se prolongou até o amanhecer…Domingos dava graças a Deus pela alegria de haver resgatado para a Igreja, um irmão que andava pelos caminhos do erro. (p.60-61)

O milagre dos escritos de São Domingos Gusmão

Naquela noite, os cátaros, sentados ao redor de uma fogueira, liam e comentavam os argumentos propostos por Domingos. De repente, surgiu a idéia de recorrer ao “Juízo de Deus”, próprio da época, para saber por meio de um milagre quem estava com a verdade. Para isso, deveriam jogar na fogueira o escrito de Domingos, juntamente com o do herege. Disseram: “aquele que saísse ileso da fogueira, seria reconhecido como portador da verdade. Havia chegado a hora em que o Senhor cumpriria sua promessa: “Ao serem julgados, não sois vós que falareis, mas o Espírito do Pai que falará em vós”. (Mt 10, 20). Sem discutir nem fazer mais preâmbulos, os cátaros lançaram ao fogo os escritos de Domingos e os seus. Para confusão de todos os presentes, o pergaminho de Domingos saiu voando aos ares…como se a maravilha que viram não os convencessem, insistiram: “Lancemos novamente ao fogo e assim comprovaremos a verdade, plenamente”. Pela segunda vez o pergaminho de Domingos foi lançado fora das chamas, sem se queimar. Não satisfeitos com o que viam, disseram: “Lancemos ao fogo pela terceira vez e então conheceremos a verdade, sem nenhuma sombra de dúvida”. E pela terceira vez o escrito de Domingos saiu intacto das chamas…No dia seguinte, os juízes cátaros se abstiveram de deliberar e ditar sentenças. Simplesmente sentiram-se derrotados e envergonhados. O pergaminho que continha os argumentos e respostas de Domingos desapareceu nas mãos do pregadores cátaros; porém, a verdade do sucedido transcendeu e impactou a muitos. O broche de ouro daquela disputa maior foi a conversão de cento e cinqüenta cátaros, que pediram para voltar ao redil da Igreja. (p.95-98)

A vivência da pobreza

Iam de lugar a lugar como os Apóstolos: a pé, descalços, pregando a Boa-Nova e mendigando o pão de porta em porta. (p.99)

A missão em Prouille

Daquela altura, contemplou a planície bem cultivada e viu oculta entre as árvores, a aldeia de Prouille,..(p.100)

Conta a tradição que, durante três dias, Domingos viu arder sobre a cidade um globo de fogo; foi então que entendeu que Prouille estava marcada com o dedo de Deus para ser o centro de seu apostolado e o berço de sua Ordem. (p.101)

A morte de seu amigo Diego

A morte de Diego, seu bispo e companheiro de pregação, longe de desanimar Domingos, reafirmou sua obra apostólica. Com perseverança e audácia, continuou pregando a Palavra de Deus em debates públicos e, no entardecer de cada dia, retornava a Prouville…(p.108)

O milagre da barca

A barca seguia sobrecarregada e, quando menos esperavam, naufragou em frente à capela de Santo Antonio Abade de Toulouse. Os náufragos, em desespero, começaram a pedir auxílio aos gritos. Domingos, que orava na capela, saiu correndo para socorrê-los. Ao ver que estavam sendo arrastados pela corrente do rio, orou suplicante. Com os braços abertos em direção aos céus, fez com que as vítimas nadassem em direção à orla, sãos e salvos. (p.117)

O exemplo de alegria de São Domingos de Gusmão

Quando tropeçava e caia, levantava-se contente, dizendo: “uma penitência a mais”. (p.124)

Sabia vencer o sono

Em qualquer estação do ano, ele se encontrava no templo orando, diante de Jesus Sacramentado, até altas horas da noite. Para não se deixar vencer pelo sono, recorria a estratégia de fazer orar todo seu corpo; de joelhos, em prostração, com os braços em cruz, ou elevado até o infinito. Domingos não se acostumava dormir na cama; preferia deitar e descansar no chão, enquanto a comunidade dormia placidamente. (p.126)

Sofreu muitas perseguições dos cátaros

Domingos experimentou também as piadas, humilhações e maldades de seus inimigos. Nos povoados que missionava, principalmente em Carcassone, os cátaros o perseguiam constantemente. Onde o encontravam cuspiam-no, atiravam-lhe barro, o insultavam-no e jogavam palha seca pelas costas. Diante de tanto ódio, faziam tudo para ameaçá-lo de morte. Diante das ameaças, Domingos não fugia. Saía com seus passos naturais, com atitude de bondade e acolhida e respondia às suas ameaças, dando-lhes a razão de sua fé. (p.128)

Casa para acolher prostitutas

No verão de 1215, o bispo Folques de Toulouse entrega a Domingos a casa-lar de São Sernin para acolher moças pobres que haviam sido resgatadas da prostituição. Encarregou-se de cuidar de sua instrução e providenciar meios para que pudessem trabalhar e ganhar seu próprio pão. (p.132-133).

Nascimento da Ordem dos pregadores

No mês de abril de 1215, os padres de Toulose, Frei Pedro Seila e Frei Tomás, eloqüentes pregadores, professaram o seguimento de Cristo vivendo o mesmo estilo de vida de Domingos. Em meados do mês de junho, do mesmo ano, a pequena comunidade, com residência em casa de Pedro Seila, recebe uma carta do bispo de Toulouse, na qual confere a Domingos a missão de pregar na sua diocese, e a autorização para fundar a Ordem dos Pregadores. (p.134-135). Inocêncio III acolhe o projeto de Domingos. (p.140). A falta de preparação adequada do clero fez com que o Concílio reservasse aos bispos o direito de pregar a Palavra de Deus. A tradição da época narra que o Papa Inocêncio III, intrigado com a posição do Concílio, que proibia a fundação de novas ordens religiosas, sonhou que a Igreja de São João de Latrão estava caindo, devido à quebra das estruturas, e que Domingos carregava nos ombros parte do edifício, evitando que a Igreja caísse por terra. O papa Inocêncio III reconheceu, neste sonho profético, que a Ordem que Domingos queria fundar seria uma coluna na Igreja. Por isso, mandou chamá-lo, aprovou sua proposta e o despediu com sua benção. Em meados de dezembro de 1215, o Papa manda chamar Domingos para comunicar-lhe que havia decidido aprovar validamente sua Ordem, como tinha feito com a Ordem de São Francisco de Assis. (p.143-146).

Confirmação da ordem

Quando Domingos se dispunha a voltar a Roma, pra apresentar ao papa Inocêncio III o resultado da escolha da Regra, foi informado da morte do Pontífice, ocorrida em 16 de julho de 1216. Com a confiança no Senhor, Domingos apresentou-se ao novo Papa, Honório III, que no dia 22 de dezembro de 1216 expedia a Bula de confirmação da ordem.(p.152). Em 11 de fevereiro de 1218, o Pontífice expedia a Bula, dando à Ordem o honroso título de “Irmãos da Ordem dos Pregadores” com plena faculdade de exercer este ministério na Igreja e fora dela.(p.153)

Os mendicantes

O bispo Folques é consciente das limitações econômicas da nascente comunidade de irmãos pregadores; cria-se um fundo econômico, proveniente do dízimo paroquial, para o sustento dos irmãos. Domingos inicia a formação de novos irmãos pregadores, na escola da absoluta confiança na providência de Deus, vivendo na mendicância itinerante. (p.137).

Preparação teológica

Para desempenhar a missão de pregadores itinerantes, Domingos não descuidava da formação permanente de seus companheiros. Numa manhã de 1215, Domingos inscreveu seis dos seus irmãos na escola de teologia do professor inglês Alexandre Stavensby. Domingos queria que seus filhos estivessem em dia com as correntes teológicas, para o exercício da pregação (p.139). No que diz respeito à formação espiritual, exortava os irmãos a serem: humildes, assíduos na oração, desprendimento total, sempre dispostos a renunciar a própria vontade, e executar com obediência voluntária ao que manda o prelado. (p.148). Observar o silêncio, nas horas e lugares destinados à oração e ao estudo; não falar mal nunca dos ausentes e guardar diligentemente os livros, roupas e outras coisas que estão a serviço da comunidade.(p.149).

O que deve fazer o diretor espiritual

O prior coloque, à frente dos noviços, um mestre diligente, para que os instrua nas coisas da ordem; afervore-os nas celebrações litúrgicas; corrija-os com palavras e com exemplos; proveja suas necessidades; ensine-os a serem humildes; proveja suas necessidades; ensine-os a serem humildes, a confessarem-se com freqüência e a viverem com desprendimento. Que ninguém julgue ninguém, porque o critério humano frequentemente se equivoca. Que se entreguem com empenho ao estudo. Leiam e meditem algo e se esforcem para reter na memória quanto puderem. (p.150-151)

Visão dos apóstolos São Pedro e São Paulo

A aspiração missionária de Domingos era levar a Palavra de Deus a “todas as nações”, ao mundo dos crentes de Jesus Cristo. Certo dia, quando orava na Basílica de São Pedro, em Roma, teve uma visão dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Parecia que Pedro lhe entregava o bastão e Paulo um livro, dizendo-lhe: “Vai prega, porque Deus o escolheu para esse ministério”.

Ao mesmo tempo, parecia contemplar seus filhos espalhados por todo o mundo, indo de dois em dois, a pregar aos povos a palavra divina. De regresso a Toulouse, convoca todos os irmãos e lhes manifesta que, embora poucos em número, decidiu dispersá-los em diversas partes do mundo, bem convencido de que o grão espalhado frutifica, e que amontoado, apodrece. (p.156)

A cura de Frei Reginaldo

Estamos no ano de 1218. Domingos prega a quaresma em Roma. Entre seus ouvintes, está o cônego Reginaldo de Orleans. Sentiu-se comovido pela pregação de Domingos. Quando se dispõe a visitar-lhe, cai gravemente enfermo. Domingos visita-o e anima-o. Como resposta, ouve de Reginaldo a firme decisão de renunciar à cômoda vida de cônego, para viver “como o Apóstolo”, pregando, em pobreza do Evangelho, aos povos mais necessitados da Palavra de Deus. Mais ainda, pede a Domingos que o admita em sua Ordem e faz a profissão de obediência em suas mãos. O enfermos se agrava. E é desenganado. Domingos passa a noite orando diante do sacrário e, ao amanhecer, Reginaldo está curado.

Conta a tradição que aquela noite, estando com febre, apareceu-lhe Nossa Senhora ungindo-lhe com um certo bálsamo e disse: “Unjo [*] teus pés com o óleo santo, como preparação para o Evangelho da paz”. E lhe mostrou o hábito completo da Ordem. (p.162-163)

São Domingos de Gusmão e o Rosário

Quando a tentação envolve os irmãos nas dúvidas sobre a sua vocação, Maria lhes alcança o dom da perseverança; abençoa o dormitório e cuida do sono. Quando surgem as necessidades Nossa Senhora as provê e serve; não permite nunca que lhes falte o pão de cada dia, e no ministério da pregação, assiste-lhes manifestamente (p.164)

Domingos, em suas horas de encontro filial com a Mãe de Deus, sente a feliz inspiração de orar com o Evangelho. Assim nasceu a oração do Evangelho do Rosário, centrado no mistério do Verbo Encarnado. Para combater os cátaros, Domingos lê um determinado acontecimento do Evangelho, comenta, convida à reflexão e conclui com a recitação da Ave-Maria. Por isso, acertadamente, é chamado de Rosário: “Compêndio de todo o Evangelho”. (p.165)

Encontro de São Domingos de Gusmão com São Francisco de Assis

No final de 1220, Domingos se encontra com o cardeal Hugolino, em Toscana, e para sua sorte, tem a oportunidade de encontrar e conhecer Francisco de Assis, a quem, desde aquele momento, sente-se fraternalmente unido no amor do Senhor. (p.179)

Missão de São Domingos de Gusmão

Evangelização ardente, com o exemplo de oração e de pobreza heróica do pregador, revelam seu amor ao Salvador e às almas; uma palavra que se dirige a todos: aos bons cristãos para melhorá-los na sua vida espiritual mais profunda e uma ação mais generosa; a dos hereges para abordá-los de frente, iluminar suas mentes e conduzi-los de novo a Cristo Ressuscitado”. (p.187)

Enfermidade e morte de São Domingos de Gusmão

Domingos passa os dias e as noites em claro; entretanto, sua enfermidade avança. Domingos pediu de imediato que ao falecer fosse levado ao convento de São Nicolau, porque queria ser sepultado junto com seus irmãos. Em nenhum momento a febre e a dor mudaram a expressão de seu rosto, sempre sereno, sorridente e alegre. (p.189)

Na aflição e o pranto dos irmãos comovem Domingos e lhe arrancam palavras de consolo: “Não choreis; eu serei mais útil para vocês depois da morte, mais do que em vida”. (p.190)

Frei Rodolfo está à cabeceira de Domingos, e com uma toalha vai secando o suor mortal de seu rosto. De repente, Domingos murmura: “Comecem”. Os irmãos recitam o Credo; logo as orações rituais da encomendação da alma, e quando invocam: “Vinde em sua ajuda, Santos de Deus. Acudi-o, anjos do Senhor. Recebe a sua alma na presença do Altíssimo, Domingos morre na doce serenidade dos justos. Era tarde de 6 de agosto de 1221. [morreu serenamente na Festa da Transfiguração do Senhor] (p.191)

Na noite de 23 de maio de 1233, os irmãos se reuniram em torno do túmulo. Então, em presença de uma verdadeira multidão, os Irmãos inalmente abriram o caixão. A cada etapa, um perfume maravilhoso, misterioso se espalhava por toda a Igreja (p.56)

Algum tempo depois, um pedido de canonização de Domingos foi apresentado pelo Bispo, pela universidade e a comunidade de Bolonha a 3 de julho de 1234. Gregório IX proclamou a santidade de Domingos. (p.56)
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Fonte: aqui.
[*] Não tenho certeza da conjugação do verbo ungir, mas aparentemente não se conjuga na primeira pessoa, no tempo presente. Estranho, né?

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"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."