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quarta-feira, 30 de março de 2016

São João Clímaco, Abade


João nasceu na região da Síria, por volta do ano 579. Era um jovem extremamente inteligente e muito devoto dos assuntos celestes. Também tinha uma grande formação literária. Decidiu seguir a Cristo numa tenra idade da adolescência, aos dezesseis anos. Resolveu largar tudo e seguir o caminho dos monges, partindo para o deserto. Um jovem que tinha um "futuro promissor", iria herdar uma fortuna e herdar uma posição social de destaque, mas preferiu renunciar a esse futuro e seguir uma vida de oração. Dessa maneira tornou-se discípulo e foi isolar-se num mosteiro renomado, localizado na região do Monte Sinai. Diariamente era jejum profundo, trabalho árduo e estudos.

No século IV, após as perseguições aos cristãos pelos romanos, vários mosteiros rudimentares foram criados nessa região do Monte Sinai, pois é um região considerada sagrada pelos cristãos, pois foi nesse monte, também denominado Horeb, que Moisés recebeu as Leis de Deus. Também nesse mesmo monte existe uma caverna, chamada Retiro de Elias, pois é o local onde Deus falou com o profeta, após este passar 40 dias no deserto. Ainda hoje existem mosteiros e capelas nessa região. E isso atrais todos os anos milhares de peregrinos para visitar esse local sagrado. Mas podemos destacar o maior monge do Monte Sinai: São João Clímaco. Os mosteiros criados nessa região eram famosos pelas suas bibliotecas com manuscritos preciosos e também pela hospitalidade que davam aos peregrinos.



João só saia do mosteiro para colher frutas e raízes. Ele não comia mais carne nem vermelha e nem branca e só saia de sua cela para receber a Eucaristia, aos domingos. Mesmo vivendo em isolação, sua fama se espalhou e todos os monges dos mosteiros ao redor iam procura-lo e logo em seguida os  peregrinos também começaram a ir para tentar aprender a como viver uma vida de oração, e até mesmo para receber a benção do monge, pois já em vida teve fama de santo. Aos 60 anos foi escolhido com unanimidade a abade de todos os eremitas da região do Monte Sinai.Uma pessoa sábia é procurada naturalmente em uma sociedade minimamente sadia, pois todos reconhecem a sua importância e a superioridade de seu ofício entre todos os demais. Movido pela caridade, então, João passava aquilo que tinha aprendido do próprio Deus aos seus próximos.

Seu nome Clímaco deriva da palavra grega Κλίμαξ, que quer dizer Clímax. Foi justamente por insistência de um irmão vizinho do mosteiro de Raito que nasceu a sua "Escada do Paraíso", sendo essa a sua principal obra, muito apreciada até nos dias atuais. Nessa obra, o santo compara o progresso na vida espiritual a uma escada, com três partes: a primeira diz respeito ao abandono do mundo, a fim de voltar ao estado da infância evangélica; a segunda é um importante subsídio para o reconhecimento e a cura das doenças espirituais; a terceira, por sua vez, é propriamente o caminho dos perfeitos.

Em toda a obra de João Clímaco, porém, o seu foco não é outro senão o amor, como ele próprio revela, ao associar o combate espiritual à figura do "fogo" e concluir o seu tratado com as palavras de São Paulo: "Agora subsistem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade; mas a maior delas é a caridade" ( 1 Cor 13, 13). A metáfora da escada para a vida espiritual é muito conveniente e encontra amparo nas próprias Sagradas Escrituras (cf. Gn 28, 11-19). Pode, porém, passar a falsa impressão de algo fatigante e cansativo e uma imagem de autossuficiência – como se fosse possível alguém ascender a Deus pelas próprias forças.

Entretanto, se é verdade que "é necessário passar por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus" ( At 14, 22), a "escada do Paraíso", antes de ser subida pelos homens, foi descida pelo próprio Deus. Foi o Senhor quem se inclinou ao homem e inclinou a escada dos céus, para que ele a pudesse subir mais facilmente – Ele, que "humilhou-se, fazendo-se obediente até a morte, e morte de Cruz" (Fl 2, 8). De fato, antes que o homem desse o primeiro passo em direção ao Altíssimo, Ele mesmo saiu dos altos céus e veio em seu auxílio, com a Sua graça. Por isso, a resposta do homem a essa misericórdia de Deus só pode ser o amor – o amor de quem sobe uma escada firmando os "braços cansados" e "os joelhos vacilantes" (Is 35, 3), com o coração ansioso em contemplar o Senhor e possui-Lo plenamente na eternidade.

Então com todas esses exemplos extraídos da vida de São João Clímaco, que possamos nos assemelhar nele.

segunda-feira, 28 de março de 2016

São João de Capistrano, Confessor


São João tinha muita habilidade para a diplomacia; era sábio, prudente, e media muito bem seus julgamentos e suas palavras
João nasceu em Capistrano, Itália, em 1386. Foi governador de Peruvia, na Itália, em 1412. Embora tenha estudado Lei, sua vida foi toda dedicada ao Espírito. Durante mais de trinta anos fez jejuns rigorosos, duras penitências e era uma exímio praticante de oração. Evangelizava com uma energia impressionante, em vários países, como Itália, França, Alemanha, Áustria, Hungria, Rússia e Polônia. Tornou-se grande pregador e os registros mostram, que, após sua pregação, muitos jovens decidiam entrar na Ordem de São Francisco de Assis.Ele foi ordenado em 1420. Após uma carreira notável como franciscano João foi convidado a ser o legado papal na Palestina, Milão, Sicília, Áustria, Bavária, Polônia, Bohemia e Silésia para combater os "hussites" (seguidores de Jan Hus). Foi conselheiro de quatro papas. Idoso, defendeu a Itália numa guerra que ajudou a vencer. A famosa batalha de Belgrado, contra os invasores turcos muçulmanos.

Guerreiro
João de Capistrano contava setenta anos de idade, quando um enorme exército ameaçava tomar toda a Europa, pois já dominava mais de duzentas cidades. O papa Calisto III o designou como pregador de uma cruzada, que defenderia o continente. Com ele à frente, os cristãos tiveram de combater um exército dez vezes maior. A guerra já estava quase perdida e os soldados estavam a ponto de desfalecer, quando surgiu João animando a todos, percorrendo as fileiras e mantendo-os estimulados na fé em Cristo. Agiu assim durante onze dias e onze noites sem cessar. Espantados com a atitude de João, os guerreiros muçulmanos apavoraram-se, o exército se desorganizou e os soldados cristãos dominaram o campo de batalha até a vitória final. Vitória que, embora preferisse manter o anonimato, foi atribuída a João de Capistrano. Depois disso, retirou-se para o Convento de Villach, na Áustria, onde morreu três meses depois, no dia 23 de outubro de 1456

Martelo dos hereges

João encarava esses homens e mulheres como hereges e com implacável hostilidade, e seus métodos eram tão obstinados que ele às vezes foi reprovado. Quando os turcos capturaram Constantinopla, (hoje Istambul), a capital do Império Bizantino em 1453, João se devotou a uma incansável cruzada contra os Otomanos que estavam avançando sobre os Balcãs. João conseguiu uma audiência com o General Janos Hunyadi. Hunyadi inspirado pelo santo reuniu os húngaros que resistiram aos turcos e ele pessoalmente comandou uma ala do exercito cristão na batalha de Belgrado em 1456. A vitória de Belgrado salvou a Europa de ser conquistada pelos turcos. Na arte Litúrgica da Igreja ele é representado como um franciscano apontando um crucifixo que ele segura; ou 2) com um crucifixo e uma lança; ou 3) pisando em um turbante; ou 4) pregando com anjos e um rosário e o emblema IHS acima dele; ou 5) com a bandeira com a cruz em seu peito. Ele morreu em 23 de outubro de 1456 em Vilach, Áustria de uma praga que varreu a região. O seu culto se mantém vivo até os nossos dias, sendo celebrado no dia de sua morte tanto no Oriente e como no Ocidente. São João Capistrano foi canonizado em 1724 papa Bento XIII. São João de Capistrano é o padroeiro dos juízes. (Contam que tão grande era a veemência de João, que mais tarde, em 1526, os Calvinistas jogaram suas relíquias em um poço).

domingo, 27 de março de 2016

São João Damasceno

São João Damasceno e o ícone da Mãe de Deus das Três Mãos

Teólogo, espiritualista, orador, escritor e, sobretudo, santo. Este é o perfil de São João Damasceno, cujas obras fazem sentir o frescor da doutrina patrística oriental.


Situada aos pés do monte Hermon, à beira do deserto da Síria, Damasco é considerada por muitos estudiosos como a mais antiga cidade do mundo continuamente habitada.

De origem imemorial, sua história está repleta de vicissitudes. Treze séculos antes de Cristo, a região foi campo de batalha entre hititas e egípcios. Duzentos anos depois, os arameus a tornaram uma importante urbe que o Rei Davi submeteu, fazendo-a pagar-lhe tributo (cf. II Sm 8, 5-6). No século IV, apossou- -se dela Alexandre Magno; e, depois da morte deste, disputaram-na acirradamente o Império Selêucida e o Ptolomaico, até cair por fim, no ano 64 a.C., em mãos romanas.

Na época de Nosso Senhor Jesus Cristo, Damasco fazia parte da Decápolis, e pouco depois da Ressurreição do Divino Mestre, já achamos nela um grupo de cristãos, cuja fé motiva a viagem de Saulo de Tarso com o intuito de persegui-los.

É nessa cidade lendária, crisol de raças e culturas, que veio ao mundo o último dos Padres da Igreja oriental: São João Damasceno.

Piedade, beleza e a mais pura ortodoxia
De família árabe, mas cristã de religião e socialmente bem situada, nasceu João por volta do ano 675, quando Damasco já se encontrava sob domínio muçulmano. Aos trinta anos abandonou as comodidades da casa paterna e ingressou no Mosteiro de São Sabas, situado no deserto da Judeia, próximo de Jerusalém. Pouco depois, foi ordenado presbítero e escolhido pelo Patriarca João de Jerusalém para pregar na Anástasis (lugar do sepulcro de Jesus) e em outros templos da Cidade Santa. De tal maneira brilharam sua eloquência e a segurança doutrinária que foi cognominado Chrysorrohas (rio de ouro), nome dado às águas que, procedentes do Antilíbano, tornavam um fecundo oásis os arredores de Damasco.

São João Damasceno logrou fazer uma excelente síntese da doutrina patrística usando uma oratória de grande beleza. A influência do seu pensamento se estendeu do Oriente ao Ocidente, onde suas obras foram objeto de estudo por São Tomás e os escolásticos. Lutou especialmente contra os erros dos iconoclastas, mas nas suas homilias e escritos encontramos a refutação de muitas das heresias que assolavam as comunidades cristãs da época.

Após alcançar uma avançada idade - calcula-se que tenha morrido aos 74 anos - entregou sua alma a Deus no ano 749, provavelmente em 4 de dezembro. Foi declarado doutor da Igreja pelo Papa Leão XIII, em 19 de agosto de 1890. Como já foi apontado, saber unir piedade, beleza literária e a mais pura ortodoxia doutrinária foi um dos grandes méritos de São João Damasceno. Ele conseguiu, com um brilho verdadeiramente excepcional, aliar o Verum, o Bonum e o Pulchrum (Verdade, Bondade e Beleza) numa linguagem tão acessível que deleita e ao mesmo tempo ensina as mais elevadas verdades sobre Nosso Senhor Jesus Cristo e sua Mãe Santíssima.

A obra deste Padre da Igreja é tão vasta, seus escritos de tal modo magistrais na exposição e ricos em conceitos teológicos, cristológicos, apologéticos, pastorais e mariológicos, que selecionar alguns excertos para ilustrar este artigo sem ultrapassar seus curtos limites torna-se um árduo desafio.

Sólida doutrina cristológica


Valendo-se de uma terminologia perfeita do ponto de vista teológico, São João Damasceno exalta em suas homilias os mistérios de Nosso Senhor e refuta os erros cristológicos correntes naqueles tempos. Afirmando a plena união do Verbo Encarnado com Deus Pai e Deus Espírito Santo, desqualifica o monofisismo, que pretende ver a natureza humana de Cristo absorvida pela divindade; o nestorianismo, que considera Nosso Senhor como uma pessoa humana na qual o Verbo haveria estabelecido sua morada como num templo ou mansão, sem assumir de fato a natureza do homem; ou o monotelismo que nega a existência da vontade humana n'Ele.

Assim, por exemplo, em sua homilia sobre a Transfiguração do Senhor, ecoam os ensinamentos antimonofisistas do Concílio de Calcedônia, realizado em 451: "Como é possível que coisas incomunicáveis se misturem e permaneçam sem confundir-se? Como podem se unir uns elementos inconciliáveis, sem perder as características próprias da natureza? Precisamente isto é o que se efetua na união hipostática, de maneira tal que os elementos que se unem formam um só ser e uma só pessoa, mas conservando a unidade pessoal e a duplicidade de naturezas, numa diversidade indivisível e numa união sem confusão, que se realiza mediante a encarnação do Verbo imutável e a incompreensível e definitiva divinização da carne mortal. Como consequência dessa permuta, dessa recíproca comunicação sem confusão e da perfeita união hipostática, os atributos humanos vêm a pertencer a Deus e os divinos chegam a pertencer a um homem. Um só é, com efeito, aquele que, sendo Deus desde sempre, depois Se faz homem".

Com igual fé e profundidade teológica, o santo de Damasco não teme abordar um tema pouco tratado por teólogos mais recentes: o que aconteceu com a alma de Cristo após sua morte? A divindade separou-se da alma humana e do corpo do Senhor?

Explica ele: "Embora a alma santa e divina tenha se separado do corpo incontaminado e vivificante, a divindade do Verbo não se separou de nenhum desses dois elementos, ou seja, nem do corpo nem da alma, por efeito da indivisa união hipostática das duas naturezas, que se realizou na concepção efetuada no seio da santa Virgem Maria, Mãe de Deus. Assim resulta que, inclusive ao produzir-se a morte, continua havendo em Cristo uma só pessoa, que é o Verbo divino, e depois da morte do Senhor, nesta pessoa seguem subsistindo a alma e o corpo".
Homilias sobre Nossa Senhora

Não são menos belas e esplendorosas as homilias do Damasceno sobre Nossa Senhora. Elas nos mostram como a devoção à Santíssima Virgem vem desde os primeiros tempos do Cristianismo, como o amor a Ela era muito patente já na época de Santo Inácio de Antioquia, que foi discípulo do Apóstolo João, de São Justino (†165) e de Santo Irineu (†202).

Nessas homilias se encontram em germe os elementos doutrinários que, séculos depois, facilitaram a proclamação de diversos dogmas marianos, como o da Imaculada Conceição e o da Assunção da Virgem Maria em corpo e alma aos Céus.

Cabe ressaltar nelas, além da profundidade teológica, o entusiasmo e o amor de seu autor à Santíssima Virgem. "La raison parle, mais l'amour chante" (a razão fala, mas o amor canta), escreveu o romancista Alfred de Vigny. Em São João Damasceno, a razão disserta e o amor canta, ao tratar d'Aquela que foi achada digna de ser a Mãe do Redentor.

Eis como ele entoa louvores à virgindade perpétua de Maria: "Ó Joaquim e Ana, casal bem-aventurado e verdadeiramente irrepreensível! Vós levastes uma vida agradável a Deus e digna d'Aquela de quem vos tornastes pais. Tendo vivido com pureza e santidade, gerastes a joia da virgindade, ou seja, Aquela que foi virgem antes do parto, virgem no parto e virgem depois do parto. Aquela que é a Virgem por excelência, virgem para sempre, virgem perpétua no espírito, na alma e no corpo".

E com quanta beleza literária, servindo-se de figuras extraídas do Antigo Testamento, nos ensina ser Maria Mãe de Deus: "Ó Virgem, claramente prefigurada na sarça, nas tábuas escritas por Deus, na arca da lei, no vaso de ouro, no candelabro, na mesa e na vara de Aarão que floresceu. De Vós, com efeito, procede a chama da divindade, o Verbo e manifestação do Pai, o maná suavíssimo e celestial, o nome inefável que está acima de todo nome, a luz eterna e inacessível, o celeste pão de vida. De Vós brotou corporalmente aquele fruto que não é resultado do trabalho de nenhum cultivador".

Essa capacidade de unir doutrina, poesia e fervor, é exemplo típico do que Urs Von Balthasar chama "teologia de joelhos", em oposição à "teologia de escritório", tão habitual nos dias atuais.
Prenunciador do dogma da Assunção
São João Damasceno comparte uma opinião generalizada entre os Santos Padres, de que há uma estreita relação entre a virgindade perpétua de Maria e a incorrupção de seu corpo virginal depois da morte. Ao ponto de que, em trechos como os mencionados a seguir, ele prenuncia o dogma da Assunção de Maria ao Céu, em corpo e alma.

"Convinha que aquela que no parto manteve ilibada virgindade conservasse o corpo incorrupto mesmo depois da morte. Convinha que aquela que trouxe no seio o Criador encarnado, habitasse entre os divinos tabernáculos. [...] Convinha que a Mãe de Deus possuísse o que era do Filho, e que fosse venerada por todas as criaturas como Mãe e Serva do mesmo Deus"Essa passagem do Damasceno foi reproduzida literalmente por Pio XII ao definir o Dogma da Assunção, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus. Nela, o Papa elogia também a "veemente eloquência" desse santo "que entre todos se distingue como pregoeiro dessa tradição"

"São Tomás do Oriente"
São João Damasceno dizia de si mesmo que nada possuía de original, apenas compilava trechos de antigos escritores. No entanto, a luz de seu pensamento atravessou os séculos e ilumina até hoje os horizontes dos estudos teológicos.

O próprio Papa Bento XVI, tomando-o como tema da Audiência Geral de 6 de maio de 2009, põe em realce a originalidade de sua argumentação em defesa do culto às imagens e às relíquias dos santos e o qualifica de "personalidade de primeira grandeza na história da teologia bizantina, um grande doutor na história da Igreja universal".

São João Damasceno foi adequadamente cognominado "o São Tomás do Oriente". Feliz equiparação porque esses dois luminares da Igreja se assemelham a um título muito superior: ambos refulgem pela santidade de vida tanto ou mais que pela ciência. Deles se pode bem dizer: "Quando o amor vivifica a dimensão orante da teologia, o conhecimento, adquirido
através da razão, se dilata. A verdade é procurada com humildade, acolhida com enlevo e gratidão: numa palavra, o conhecimento cresce somente quando se ama a verdade. O amor se torna inteligência e a teologia se torna autêntica sabedoria do coração, que orienta e sustenta a fé e a vida dos fiéis"

O trânsito de Maria aos Céus

Assuncao de Nossa Senhora.jpg
"Assunção de Nossa Senhora",
por Silvestro dei Gherarducci
- Museu Vaticano
Na verdade, poderemos designar com o nome de morte o mistério que se realizou em Vós, oh Maria? [...]

Uma vez que, quando Vos tornastes Mãe, vossa virgindade permaneceu incólume, vosso corpo foi preservado da decomposição ao emigrar deste mundo, ficando transformado num tabernáculo mais ilustre e excelso, não mais sujeito à morte, mas destinado a perdurar pelos séculos sem fim. [...] Não chamaremos de morte o vosso sagrado trânsito, mas dormição ou emigração e, com mais propriedade ainda, o designaremos como permanência na pátria, pois, ao deixar este mundo, obtendes uma morada muito mais excelente.

Os anjos e arcanjos Vos trasladaram. Ante vosso trânsito, os espíritos imundos que voam pelos ares, estremeceram-se de espanto. Com vossa passagem, o ar ficou abençoado e o éter santificado. O Céu, com gozo, recebe vossa alma [...].

Não subistes ao Paraíso à maneira de Elias, nem fostes como São Paulo transportada ao terceiro Céu, mas chegastes até ao trono real de vosso Filho, ao qual contemplais com vossos próprios olhos e com Ele habitais num clima de grande felicidade e confiança. (SAN JUAN DAMASCENO. Homilía sobre la Dormición de María)

Feliz Páscoa


O Senhor ressuscitou! 
Feliz Páscoa!!


Viver a Verdade Suprema na Morte e Ressurreição de Jesus Cristo, nossa esperança na glória da vida eterna. Cristo venceu a morte, e venceremos também se vivermos e morrermos com Ele.

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Vídeo com a música Christus Resurrexit:

Páscoa

O sepulcro está vazio, pois o Senhor Ressuscitou! Aleluia, aleluia!

Leitura diária

1ª leitura

I Coríntios 5, 7-8
7 Purificai-vos do velho fermento, para que sejais uma nova massa, assim como sois ázimos. Porquanto Cristo, nosso cordeiro pascal, foi imolado. 8 Celebremos, pois, a festa, não com fermento velho, nem com fermento da malícia e da perversidade. mas com os ázimos da pureza e da verdade.

Santo Evangelho


São Marcos 16, 1-7
1 Passado o dia de sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram aromas para irem embalsamar Jesus. 2 Partindo no primeiro dia da semana, de manhã cedo, chegaram ao sepulcro, quando o sol já era nascido. 3 Diziam entre si: «Quem nos há-de revolver a pedra da boca do sepulcro? 4 Mas, olhando, viram revolvida a pedra, que era muito grande. 5 Entrando no sepulcro, viram um jovem sentado do lado direito, vestido de uma túnica branca, e ficaram assustadas. 6 Ele disse-lhes: «Não temais. Buscais a Jesus Nazareno, o crucificado? Ressuscitou, não está aqui. Eis o lugar onde o depositaram. 7 Mas ide, dizei a seus discípulos, e especialmente a Pedro, que ele vai adiante de vós para a Galileia; lá O vereis, como ele vos disse.


Salve Maria!
Viva Cristo Rei!

sábado, 26 de março de 2016

Santa Lucia Filippini, Catequista e Fundadora

Hoje também comemora-se a memória litúrgica de Santa Lúcia Filippini, uma incrível história de trabalho catequético. Suas imagens são sempre representadas por uma linda jovem toda vestida de preto, e rodeada de crianças, que eram o seu principal alvo do trabalho catequético. Vale a pena conferir.

Lúcia nasceu no dia 13 de janeiro de 1672, em Corneto Tarquínia, proximidades de Roma, numa família honrada e abastada. Quando ainda tinha um ano de idade, Lúcia perdeu a mãe e alguns anos mais tarde, o pai. Ela foi entregue, para ser formada e educada, às Irmãs beneditinas e junto delas a menina descobriu o dom que tinha para ensinar.

Muito dedicada aos estudos da Sagrada Escritura, e com a alma cheia de caridade, tomou para si, ainda no início da adolescência a função de ensinar o catecismo às crianças. Tantos eram os pequenos que a procuravam e tão cativante era sua forma de transmitir a Palavra do Senhor, que logo o padre do local a nomeou oficialmente a catequista paroquial. Certo dia, passou pela sua cidade o cardeal Marcantonio Barbarigo, que conheceu Lúcia, reconheceu sua vocação e levou-a para acabar seus estudos com as Irmãs clarissas.

Preparada, foi colocada na liderança de uma missão que ele julgava essencial para corrigir os costumes cristãos de sua diocese: fundar escolas católicas em diversas cidades. Lúcia, em sua humildade, a princípio relutou, achando que a função estava acima de suas possibilidades. Mas o cardeal insistiu e ela iniciou seu trabalho que duraria quarenta anos.

A missão exigiu imensos esforços, tantos foram os sacrifícios a que teve de se submeter. Contudo, nada a afastou da tarefa recebida. Nessas quatro décadas preparou professoras, catequistas, fundou escolas e organizou-as em muitas cidades e dioceses. Quando o cardeal Barbarigo faleceu, as dificuldades aumentaram. Lúcia uniu-se então a outras professoras e catequistas, juntando todas numa congregação, fundou em 1692, o Instituto das Professoras Pias. A fama do seu trabalho chegou ao Vaticano e em 1707, o Papa Clemente XI pediu para que Lúcia criasse uma de suas escolas em Roma.

Lúcia Filippini faleceu aos sessenta anos, no dia 25 de março de 1732, de câncer, mas docemente e feliz pela sua vida entregue à Deus e às crianças, sementes das novas famílias que são a seiva da sociedade. Seu corpo descansa na catedral de Montefiascone, onde começaram as escolas católicas do Instituto das Professoras Pias Filippinas, como são chamadas atualmente.

A festa litúrgica à Santa Lúcia Filippini foi marcada para o dia 26 de março, pelo Papa Pio XI, na solenidade de sua canonização, em 1930. Hoje, as escolas das professoras pias filippinas além de atuarem em toda a Itália, estão espalhadas por todo território norte americano, num trabalho muito frutífero junto à comunidade católica.

Imagens de Santa Lucia Filippini

Igreja de Santa Margarida, onde está o corpo de Santa Lúcia.


Cripta do corpo de Santa Lúcia.






São Ludgero


Ludgero nasceu no ano 742 em Zuilen, Friesland, atual Holanda, e foi um dos grandes evangelizadores do seu tempo. Era descendente de família nobre e, dedicado aos estudos religiosos desde pequeno. Ordenou-se sacerdote em 777, em Colônia, na Alemanha. Seu trabalho de apóstolo teve início em sua terra natal, pois começou a trabalhar justamente nas regiões pagãs da Holanda, Suécia, Dinamarca, ponto alto da missão de São Bonifácio, que teve como discípulos São Gregório e Alcuíno de York, dos quais foi seguidor também Ludgero. Mais tarde, foi chamado pelo imperador Carlos Magno para evangelizar as terras que dominava. Entretanto, este empregava métodos de conversão junto aos povos conquistados, não condizentes com os princípios do cristianismo. Logo de início, por exemplo, obrigava os soldados vencidos a se converterem pela força, sob pena de serem condenados à morte se não se batizassem. Como conseqüência dessa atitude autoritária estourou a revolta de Widukindo e Ludgero teve que fugir, seguindo para Roma. Depois foi para Montecassino, onde aprimorou seus estudos sobre o catolicismo e vestiu o hábito de monge, sem contudo emitir os votos. A revolta de Widukindo foi a muito custo dominada em 784 e o próprio Carlos Magno foi a Montecassino pedir que Ludgero retornasse para seu trabalho evangelizador, que então produziu muitos frutos. Pregou o evangelho na Saxônia e em Vestfália. Carlos Magno ofereceu-lhe o bispado de Treves, mas ele recusou. Ludgero emitiu os votos tomando o hábito definitivo de monge e fundou um mosteiro, ao redor do qual cresceu a cidade de Muester , cujo significado, literalmente, é mosteiro, e da qual foi eleito o primeiro bispo. Ludgero não parou mais, fundou várias igrejas e escolas, criou novas paróquias e as entregou aos sacerdotes que ele mesmo formara. Ainda encontrou tempo para retomar a evangelização na Frísia, realizando o seu sonho de contribuir para a conversão de sua pátria, a Holanda, e fundar outro mosteiro, este beneditino, em Werden, antes de morrer, que ocorreu no dia 26 de março de 809. O corpo de Ludgero foi sepultado na capela do mosteiro de Werden. Os fiéis tornaram o local mais uma meta de peregrinação pedindo a sua intercessão para muitas graças e milagres, que passaram a ocorrer em abundância. O culto à São Ludgero, que ocorre neste dia é muito intenso especialmente na Holanda, Suécia, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Itália, países cujo solo pisou durante seu ministério.

Sábado Santo

Sabbatum Sanctum - Soledade de Nossa Senhora

Toda a Igreja está desnuda. Está tudo sem enfeite, sem adornos. Tudo foi retirado na Quinta-feira santa. Estamos em luto, mas também estamos em espera pela Gloriosa Ressurreição de Nosso Senhor. Nossa única Esperança. Neste dia temos a figura da Santíssima Virgem em luto profundo. Um luto tão triste que alma nenhuma é capaz de não comover-se. Hoje vamos refletir e meditar todas as Dores de Maria. 
Voltou tão triste a aflita e pobre Mãe, que todos os que A viam, d'Ela se compadeciam e choravam” (São Bernardo)

Hoje, não tem Santa Missa, porque o Sacerdote está morto. Hoje, só iremos rezar e rezar muito. Hoje, toda liturgia é diferenciada. Hoje, iremos nos apegar ainda mais com a Santíssima Mãe do Sacerdote. 

"Um grande silêncio reina hoje sobre a terra; um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio, porque o Rei dorme; a terra estremeceu e ficou silenciosa, porque Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos. Deus morreu segundo a carne e acordou a região dos mortos." (De uma antiga homilia de Sábado Santo)

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Meditação de D. Javier Echevarria

Hoje é dia de silêncio na Igreja: Cristo jaz no sepulcro e a Igreja medita, admirada, o que fez por nós este Senhor nosso. Guarda silêncio para aprender do Mestre, ao contemplar o Seu corpo destroçado.

Cada um de nós pode e deve unir-se ao silêncio da Igreja. E ao considerar que somos responsáveis por essa morte, esforçamo-nos para que guardem silêncio as nossas paixões, as nossas rebeldias, tudo o que nos afaste de Deus. Mas sem estarmos meramente passivos; é uma graça que Deus nos concede quando lha pedimos diante do Corpo morto do Seu Filho, quando nos empenhamos em tirar da nossa vida tudo o que nos afaste d’Ele.

O Sábado Santo não é um dia triste. O Senhor venceu o demónio e o pecado e dentro de poucas horas vencerá também a morte com a Sua gloriosa Ressurreição. Reconciliou-nos com o Pai celestial; já somos filhos de Deus! É necessário que façamos propósitos de agradecimento, que tenhamos a segurança de que superaremos todos os obstáculos, sejam do tipo que forem, se nos mantemos bem unidos a Jesus pela oração e os sacramentos.

O mundo tem fome de Deus, embora muitas vezes não o saiba. As pessoas desejam que se lhes fale desta realidade gozosa — o encontro com o Senhor — e para isso estão os cristãos. Tenhamos a valentia daqueles dois homens — Nicodemos e José de Arimateia — que durante a vida de Jesus Cristo mostravam respeitos humanos, mas que no momento definitivo se atrevem a pedir a Pilatos o corpo morto de Jesus, para lhe dar sepultura. Ou a daquelas mulheres santas que, quando Cristo é já um cadáver, compram aromas e vão embalsamá-lo, sem terem medo dos soldados que guardam o sepulcro.

À hora da debandada geral, quando toda a gente se sentiu com direito a insultar, a rir-se e a zombar de Jesus, eles vão dizer: dá-nos esse Corpo, que nos pertence. Com que cuidado o desceriam da Cruz e iriam olhando para as Suas Chagas! Peçamos perdão e digamos, com palavras de São Josemaria Escrivá: subirei com eles ao pé da Cruz, apertarei o Corpo frio, cadáver de Cristo, com o fogo do meu amor..., retirar-lhe-ei os cravos com os meus desagravos e mortificações..., envolvê-Lo-ei com o pano novo da minha vida limpa e enterrá-Lo-ei no meu peito de rocha viva, donde ninguém m’O poderá arrancar, e aí, Senhor, descansai!

Compreende-se que colocassem o corpo morto do Filho nos braços da Mãe, antes de lhe dar sepultura. Maria era a única criatura capaz de Lhe dizer que entende perfeitamente o Seu Amor pelos homens, pois não foi Ela a causa dessas dores. A Virgem Puríssima fala por nós; mas fala para nos fazer reagir, para que experimentemos a Sua dor, feita uma só coisa com a dor de Cristo.

Retiremos propósitos de conversão e de apostolado, de nos identificarmos mais com Cristo, de estar totalmente pendentes das almas. Peçamos ao Senhor que nos transmita a eficácia salvadora da Sua Paixão e Morte. Consideremos o panorama que se nos apresenta pela frente. As pessoas que nos rodeiam, esperam que os cristãos lhes descubram as maravilhas do encontro com Deus. É necessário que esta Semana Santa — e depois todos os dias — sejam para nós um salto de qualidade, pedir ao Senhor que se meta totalmente nas nossas vidas. É preciso transmitir a muitas pessoas a Vida nova que Jesus Cristo nos conseguiu com a Redenção.

Socorramo-nos de Santa Maria: Virgem da Soledade, Mãe de Deus e Mãe nossa, ajuda-nos a compreender — como escreve São Josemaria — que é preciso fazer da nossa vida a vida e a morte de Cristo. Morrer pela mortificação e penitência, para que Cristo viva em nós pelo Amor. E seguir então os passos de Cristo, com afã de corredimir todas as almas. Dar a vida pelos outros. Só assim se vive a vida de Jesus Cristo e nos fazemos uma só coisa com Ele.

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Reze e medite nas Sete Dores de Maria

Oração Inicial:

Virgem dolorosíssima, seríamos ingratos, se não nos esforçássemos em promover a memória e o culto de vossas dores, vosso Divino Filho tem vinculado à devoção de vossas dores, particulares graças para uma sincera penitência, oportunos auxílios e socorros em todas as necessidades e perigos. Alcançai-nos, Senhora, de vosso Divino Filho, pelos Méritos de vossas Dores e lágrimas, a graça .....

1 Credo, 1 Pai Nosso e 3 Ave Maria

1ª Dor: A profecia do santo velho Simeão, em Lc 2, 35
Pela dor que sofrestes ao ouvir a profecia de Simeão, de que uma espada transpassaria o vosso Coração, Mãe de Deus, ouvi-nos!

Ave Maria...


2ª Dor: A fuga para o Egito, em Mt 2, 14
Pela dor que sofrestes quando fugistes para o Egito, apertando ao peito virginal o Menino Jesus, para salvar das fúrias do ímpio Herodes, Virgem Imaculada, ouvi-nos!

Ave Maria...


3ª Dor: Perda e encontro do Menino Jesus no templo, em Lc 2, 48
Pela dor que sofrestes quando da perda do Menino Jesus por três dias, Santíssima Senhora, ouvi-nos!

Ave Maria...


4ª Dor: Maria se encontra com Jesus na via dolorosa, em Lc 23, 27
Pela dor que sofrestes quando viste o querido Jesus com a Cruz ao ombro, a caminho do calvário, virgem Mãe das Dores, ouvi-nos!

Ave Maria ....


5ª Dor: Crucificação e Morte de Jesus, em Jo 19, 25-27
Pela dor que sofrestes quando assististes à morte de Jesus, crucificado entre dois ladrões, Mãe da Divina graça ouviu-nos!

Ave Maria ....


6ª Dor: Perfuração do lado e do Coração Sagrado de Jesus, e descimento da cruz, em Lc 23, 53
Pela dor que sofrestes ao ver seu Sagrado Coração transpassado e quando recebeu em vossos braços o corpo inanimado de Jesus, descido da Cruz, Mãe dos Pecadores, ouvi- nos!

Ave Maria...


7ª Dor: Jesus é colocado no sepulcro, em Lc 23, 55
Pela dor que sofrestes quando o Corpo de Jesus foi depositado no sepulcro, ficando vós, na mais triste solidão, Senhora da Mãe da Misericórdia, ouvi nos !

Ave Maria ....


Oração final:
Daí-nos Senhora, a graça de compreender o oceano de angústias que fizeram de vós a “Mãe das Dores”, para que possamos participar de vossos sofrimentos e vos consolemos pelo nosso amor e nossa fidelidade. Choramos convosco, ó Rainha dos mártires, na esperança de ter a felicidade de um dia nos alegrarmos convosco no Céu. Amém.

Quem reza 7 Ave-Maria meditando as Sete Dores, Nossa Senhora promete sete graças (em aparição a Santa Brígida, aprovadas pela Igreja). São elas:


· Porei a paz em suas Famílias.
· Serão iluminados sobre os Divinos Mistérios.
· Consolá-los-ei em suas penas e acompanhá-los-ei nas suas aflições.
· Conceder-lhes-ei tudo o que me peçam contanto que não se oponha à vontade adorável do Meu Divino Filho e à santificação das suas almas.
· Defendê-los-ei nos combates espirituais contra o inimigo infernal e protegê-los-ei em todos os instantes da vida.
· Obtive do Meu Filho que, os que propaguem esta devoção (às minhas lágrimas e Dores) sejam transladados desta vida terrena à felicidade eterna, diretamente, pois ser-lhes-ão apagados todos os seus pecados e o meu Filho e Eu seremos a sua eterna consolação e alegria.


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Virgem dolorosa,
que aflita chorais!
Virgem magoada,
Bendita sejais!

Ó Mãe dolorosa,
que aflita chorais,
repleta de dores,
Bendita sejais!

Que duras espadas,
que duros punhais!
ferem Vosso peito,
Bendita sejais!

Que espada pungente
vós experimentais,
que o peito vos vara
Bendita sejais!

As dores futuras,
já Vós suportais!
Nós somos a causa,
Bendita sejais!

Bendita sejais, Mãe do Redentor!
Por vossa tão grande dor!

sexta-feira, 25 de março de 2016

25 anos sem Monsenhor Lefebvre

Coincidências de hoje:

Hoje completam-se 25 anos sem Monsenhor Marcel Lefebvre. "Jubileu" de prata de sua partida para a glória da eternidade. E num dia santo, numa sexta-feira santa.
Hoje também é a memória litúrgica da excepcional Mártir e Santa Margarida Clitherow, que morreu em 25 de março de 1586, também numa sexta-feira santa. Um grande exemplo e modelo de imitação. Hoje também é dia de São Dimas, que morreu no mesmo dia que Nosso Senhor Jesus.

Então são coincidências que nos remetem a coisas do Céu. São só datas, é verdade, mas não são coincidências capazes de nos deixar sem fazer uma alusão às coisas Celestes. São pessoas que reconheceram tudo em Jesus. À exceção de São Dimas, que ainda não era católico (ou era?) quando morreu, mas que mesmo assim reconheceu em Jesus imediatamente um homem Santo e Divino, as outras duas pessoas citadas na data de hoje eram católicas ferrenhas e inflexíveis, e amavam demais a Deus. Não tiveram medo de enfrentar as pessoas e nem foram capazes de rejeitar a sua santa religião por medo de desagradar pessoas. São pessoas que devemos imitar, sem dúvidas.

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Monsenhor Lefebvre, um homem santo, corajoso, um dos poucos que tiveram coragem de ficar do lado de Jesus. Um dos pouquíssimos e raros homens capazes de deixar Deus no centro do mundo, que não teve medo de ficar contra a lei dos homens. Pois só serve e sempre serviu a um Senhor: Deus! Que possamos cada vez mais viver a Verdade.


Tourcoing, 29 de novembro de 1905 — Martigny, 25 de março de 1991

São Dimas e Santa Margarida Clitherow

Santo do dia - 25 de março
São Dimas

A Tradição conta que a Sagrada Família, ao fugir para o Egito, quis refugiar-se para passar a noite numa cova que, por desgraça, era um covil de ladrões. O Capitão dos bandidos sentiu-se comovido ao ver a venerável bondade de S. José, a pureza e formosura da SS. Virgem e o olhar todo celeste do Menino Jesus. Acolheu-os, deu-lhes de comer e, na manhã seguinte, ofereceu-lhes pão para a viagem e , a Maria, uma bacia d'água para banhar o Menino. O capitão tinha um filhinho, da idade de Nosso Senhor Jesus aproximadamente, que se achava coberto de lepra. Nossa Senhora, correspondendo às finezas daquele homem rude e duro, mas que algo de bom tinha no coração, aconselhou-o a lavar o filhinho na água em que banhara o Menino Jesus. Assim o fez o bandoleiro e, no mesmo instante, seu filhinho ficou curado da lepra. O capitão lembrou muitas vezes ao filho a quem devia a saúde e a vida, dizendo: "Foi o milagre dum Menino de tua idade, que seria, quem sabe, o Messias anunciado pelos profetas". Crescendo, seguiu aquele menino o exemplo do pai, tornado-se ladrão. Preso e condenado à morte, ao subir ao Calvário, ia pensando em Nosso Senhor Jesus, seu companheiro de suplício, que era tão santo e paciente, que, sem dúvida, havia de ser o Messias, aquele mesmo menino que o livrara da lepra. As tradições dizem que o bom ladrão se chamava Dimas e o mau, Gestas. Ambos foram condenados a morrer junto com Nosso Senhor Jesus e no mesmo suplício. Atrás de Jesus subiram ao Calvário, levando suas cruzes. Junto com ele foram levantados nas respectivas cruzes. Viram como os soldados repartiam entre si as vestes do Salvador; mas, como a túnica era de uma só peça, tiraram a sorte a ver quem a levaria. Ouviram as palavras de Cristo: "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem". Nosso Senhor Jesus era objeto de todos os insultos. A multidão, curiosa e soez, passava por diante dEle, e, movendo a cabeça em sinal de desprezo, dizia: "Vamos! tu que destróis o templo de Deus e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és o Filho de Deus, desce da cruz...Todos blasfemavam e insultavam a Nosso Senhor Jesus. Mas a graça operou um milagre: Um dos ladrões, Dimas, considerando as virtudes sobrenaturais de Jesus, creu ser Ele o Messias prometido e amou de todo o coração a Bondade Infinita. Dirigindo-se a Gestas, o outro crucificado, repreendeu-o, dizendo: "Como não temes a Deus, estando como estás no mesmo suplício? É justo, na verdade, que soframos por nossos crimes, mas Nosso Senhor Jesus, que mal fez Ele?E cheio de esperança e com grande arrependimento disse a Nosso Senhor Jesus: "Senhor, quando chegares ao teu reino, lembra-te de mim". Jesus, olhando Dimas com infinita misericórdia, respondeu: "Em verdade te digo que hoje mesmo estarás comigo no paraíso". Naquela mesma noite, a alma de Jesus visitou o limbo dos justos e concedeu ao bom Ladrão a vista de Deus, a felicidade eterna.

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Santo do dia - 25 de março
Santa Margarida Clitherow


Margarida Clitherow nasceu em York, na Inglaterra, em 1556. Filha de Tomás Middleton, um bem-sucedido comerciante de cera e comissário da cidade. Em 1571 ela se casou com João Clitherow, fazendeiro e açougueiro abastado, que exercera e exerceria ainda vários cargos públicos em York. Tornado um de seus mais ricos cidadãos, ele foi autorizado a usar o Sir antes do nome.Margarida o ajudava no açougue, sendo muito querida dos clientes por causa de sua honestidade e simpatia.A família de Tomás Middleton não opusera resistência à nova religião e à rainha como cabeça da “igreja”. Por isso Margarida foi educada no anglicanismo. Apesar de não saber ler nem escrever — uma das consequências da perseguição foi a supressão das ordens religiosas e do sistema educacional inglês —, Margarida tinha boa inteligência e muita perspicácia. Analisando a religião na qual se educou, “não encontrou substância, verdade nem consolo cristão nos ministros da nova igreja, nem em sua doutrina; ao inteirar-se de que muitos sacerdotes e leigos sofriam ao defender a antiga fé católica” – comenta seu confessor e biógrafo, Pe. João Mush1 – Margarida quis instruir-se nela, convertendo-se três anos depois de casada. A nova convertida entregou-se com ardor à prática da Religião católica. Rezava longamente, confessava-se com frequência, e quando algum padre celebrava a Missa secretamente em alguma casa católica, ela a assistia e comungava. Mas o ardor de Margarida não se limitava a isso: ela se dedicou ao apostolado, procurando confirmar na fé os católicos perseguidos e tentando reconduzir ao seio da Igreja os que dela haviam se afastado por fraqueza. João Clitherow, que por comodidade seguia a nova religião, dava entretanto toda a liberdade à esposa. Dizia encontrar nela somente dois defeitos: jejuava muito e não o acompanhava à igreja anglicana, o que lhe mereceu algumas multas. Quando a esposa começou a albergar em sua residência padres proscritos, ele preferiu ignorar o fato, para ficar em paz com sua consciência e não ter que delatar a esposa. O casal Clitherow teve três filhos: Henrique, Ana e William, nascido na prisão. Com licença do marido, Margarida criou-os na Religião católica. Como não havia feito estudos, contratou um tutor católico para instruí-los. Com o tempo, enviou o filho mais velho ao seminário de Douai, na França. Como isso era considerado crime, ela foi novamente presa. Depois de sua morte, os filhos perseveraram na fé: os rapazes se tornaram sacerdotes e a moça, religiosa.A situação, porém, pioravagradativamente para os católicos fiéis. Em 1581, o governo da cruel rainha anglicana promulgou os Decretos de Persuasão declarando a conversão de alguém à fé católica crime de alta traição. O Decreto restringiu em grande medida a ação de Margarida. Ela foi logo considerada como suspeita e presa várias vezes, uma delas por dois anos. A heróica católica aproveitava a reclusão para fazer verdadeiros retiros espirituais, nos quais sua alma se unia cada vez mais a Deus. Durante a prisão passou a jejuar quatro dias por semana, prática que depois continuou a seguir. Foi também na prisão que, à força de perseverança, conseguiu aprender a ler e escrever.Margarida havia transformado um quarto de sua casa em esconderijo para padres em caso de perseguição. Alugou também, com o mesmo fim, outra casa para a eventualidade de a sua ficar sob suspeita. Vários dos sacerdotes por ela acolhidos foram depois martirizados. Ela possuía um armário secreto com todo o necessário para a celebração da Missa. Segundo a tradição local, Margarida chegou mesmo a esconder sacerdotes na hospedaria do Cisne Negro, em Peaseholme Greem, sob os próprios narizes dos perseguidores. Santa Margarida tinha uma personalidade cativante e atraente. Diz seu biógrafo que “todos a amavam e acudiam a ela em demanda de auxílio, consolo e conselho em suas penas. Seus criados tinham-lhe um amor tão reverente que, apesar de ela os corrigir com razoável severidade por suas faltas e negligências, e de saberem quando os sacerdotes frequentavam a casa, tinham tanto cuidado em conservar os seus segredos, como se fossem verdadeiros filhos”Ela começava seu dia com a meditação, e se havia algum sacerdote, assistia à Missa ajoelhada atrás de seus filhos e empregados. Em 1585 a situação agravou-se ainda mais. Elisabeth I decretou o chamado Ato Estatutário, tornando crime de alta traição o fato de qualquer padre, sobretudo se jesuíta, permanecer nos domínios dela. A heróica Margarida então afirmou: “Pela graça de Deus, todos os padres ser-me-ão ainda mais bem-vindos, e farei o que puder para fazer progredir o divino culto católico”. No dia 10 de março de 1586, João Clitherow foi intimado a explicar ao conselho municipal a ida de seu filho para o exterior. Como ele era membro do conselho e conhecidamente anglicano, conseguiu justificar-se. Mas mandaram revistar sua casa. Margarida não se preocupou muito, pois no momento lá não havia nenhum sacerdote refugiado, e seus filhos e criados eram de confiança. Mas os policiais irromperam de modo inopinado, justamente na sala de aula das crianças. O professor fugiu pela janela. Entretanto, havia na sala outras crianças da vizinhança, uma das quais entrou em pânico e acabou mostrando às autoridades o esconderijo secreto e o armário onde se encontrava o material da Missa. Com isso a polícia possuía evidência contra Margarida. Seus dois filhos foram mandados para a casa de um protestante, e seus criados postos na prisão. Margarida negou-se a se submeter a julgamento. Neste poderiam ser chamados a depor seu marido, seus filhos e criados, possivelmente sob tortura, o que ela quis evitar. Sabia que, em qualquer caso, seria executada: “Eu não conheço ofensa pela qual devo me confessar culpada. Não tendo feito nenhuma ofensa, não preciso de julgamento”, disse ela. Os juízes condenaram-na então a ser esmagada até a morte – pena infligida aos que não se submetiam a julgamento – “por ter alojado e mantido jesuítas e padres do seminário, traidores da majestade da Rainha e de suas leis”. No momento do suplício, Margarida foi convidada a rezar pela Rainha. Ela o fez desejando a conversão do monarca à verdadeira fé. Alguns anglicanos presentes lhe pediram que rezasse com eles. Ela se negou, afirmando: “Eu não rezarei convosco, nem vós rezareis comigo. Nem direi Amém a vossas orações, nem vós às minhas”. Os dois carrascos encarregados da horrível execução contrataram alguns mendigos para substituí-los. Margarida, que esperava seu quarto filho, foi deitada sobre uma pedra afiada que, quando pressionada, deveria romper-lhe as costas. Sobre seu corpo foi colocada uma porta, e encima desta empilhando grandes blocos de pedra, até que a mártir fosse completamente esmagada sob um peso de quase 700 quilos. Ela foi martirizada no dia 25 de março de 1586, Sexta-feira Santa. “Depois da morte de Clitherow, Elisabeth I escreveu aos cidadãos de York para dizer que ficara horrorizada com o tratamento dado a uma mulher: devido ao seu sexo, Clitherow não deveria ter sido executada”. O que soa como uma hipocrisia, pois foi o que ela fez no ano seguinte com a católica Maria Stuart, a quem mandou decapitar para não ter uma rival ao trono da Inglaterra. 
Martírio de Santa Margarida Clitherow

Confira lindas imagens de Santa Margarida Clitherow clicando aqui.

Sexta-feira Santa

Hoje, 25 de março, é a Sexta-feira Santa, ou Sexta-feira da Paixão. Todo bom católico sabe que hoje é um dia de reclusão e meditação para honra de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tanto é que é um dia feriado. Muito embora os protestantes e maus católicos se utilizem desse feriado para as coisas mundanas e superficiais infrutíferas (aliás, para tudo há uma recompensa. Deus é Justo!).


Mas, o que aconteceu na Sexta-feira santa? Segundo a tradição cristã, a Ressurreição de Cristo aconteceu no domingo seguinte ao dia 14 de Nisã, no calendário hebraico. A mesma tradição refere ser esse o terceiro dia desde a morte. Assim, contando a partir do domingo, e sabendo que o costume judaico, tal como o romano, contava o primeiro e o último dia, chega-se à sexta-feira como dia da morte de Cristo.

A Sexta-feira Santa é um feriado móvel que serve de referência para outras datas. É calculado como sendo a primeira Sexta-feira de lua cheia após o equinócio de outono no hemisfério sul ou o equinócio de primavera no hemisfério norte, podendo ocorrer entre 22 de março e 25 de abril.

Na Igreja Católica, este dia pertence ao Tríduo pascal, o mais importante período do ano litúrgico. A Igreja celebra e contempla a paixão e morte de Cristo, pelo que é o único dia em que não se celebra, em absoluto, a Eucaristia.

Por ser um dia em que se contempla de modo especial Cristo crucificado, as regras litúrgicas prescrevem que neste dia e no seguinte (Sábado Santo) se venere o crucifixo com o gesto da genuflexão, ou seja, de joelhos.


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A vigília da Paixão 

A Transladação do Santíssimo data do século II. Mas oficialmente o rito da adoração na Quinta-feira Santa só entrou na Igreja no século XIII. Após a oração após a comunhão, na Santa Missa, o sacerdote translada o Santíssimo solenemente em uma procissão para uma capela lateral devidamente preparada para recebê-Lo. Antes da Procissão o sacerdote prepara o turíbulo e incensa o Santíssimo três vezes. Durante a procissão, canta-se o Pange Língua. Após a transladação a comunidade é convidada a ficar em adoração e tudo isso significa ação de graças pela Sagrada Eucaristia e pela Salvação que celebramos nesses dias do Tríduo Pascal. 

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Desnudação do Altar

A desnudação do altar e, é um rito, com a finalidade de tirar da Igreja todas as manifestações de alegria e de festa, como manifestação de um grande e respeitoso silêncio pela Paixão e Morte de Jesus. A desnudação do altar (denudatio altaris), ou despojamento, como preferem alguns, é um rito antigo, já mencionado por Santo Isidoro no século VII, que fala da desnudação como um gesto que acontecia na quinta-feira santa. O sacerdote, ajudado por dois ministros, remove as toalhas e os demais ornamentos e enfeites dos altares que ficam assim desnudados até a Vigília Pascal. No antigo rito, durante a desnudação recitava-se um trecho de um salmo. O gesto da desnudação do altar tinha o significado alegórico da nudez com a qual Cristo foi Crucificado. O significado é o silêncio respeitoso da Igreja que faz memória de Jesus que sofre a Paixão e sua morte de Jesus, por isso, despoja-se de tudo o que possa manifestar festa.

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Para a Sexta-feira Santa existe a Devoção da Hora Santa, que ocorre entre 12 e 03 horas desse dia. Essa Devoção foi instituída por Jesus quando apareceu a Santa Margarida Maria Alacoque e disse: “Em toda a minha Paixão foi no horto que mais sofri, vendo-me completamente abandonado do céu e da terra. Oprimido pelos pecados de todos os homens, apareci perante a Santidade de Deus, que, sem consideração pela minha inocência, me esmagou com o peso da sua ira, fazendo-me beber o cálice, que continha todo o fel e toda a amargura da sua cólera justíssima. Ninguém pode compreender a intensidade desse meu tormento… Todas as noites, da quinta para a sexta-feira, far-te-ei participar da mortal tristeza que senti no horto. Para me acompanhares nesta humilde oração, que então ofereci a meu Pai, levantar-te-ás entre as onze e meio noite, e te prostrarás durante uma hora com a face sobre a terra, como Eu fiz, não só para aplacar a ira divina, pedindo misericórdia pelos pecadores, mas também para adoçar, de algum modo, a amargura que senti pelo abandono dos meus Apóstolos que não tinham podido velar uma hora comigo.” A finalidade desta devoção, determinada pelo próprio Redentor, consiste em aplacar a ira divina, – reparar a ingratidão dos homens, – participar das mortais tristezas do Coração de Jesus, – e pedir graça para os pecadores.

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No dia 25 de março comemora-se a Festa da Anunciação. Embora seja uma festa de 1ª classe, quando cai na Sexta-feira Santa ou na Páscoa, ela é transferida para a segunda-feira que segue o Domingo in Albis, que será no dia 04 de abril.

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Hoje é dia de jejum e abstinência.

Salve Maria!
Viva Cristo Rei!
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A Tradição é linda.

A Tradição é linda.

Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."