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terça-feira, 14 de novembro de 2017

Santo Alberto Magno, Bispo, Confessor e Doutor


São Alberto Magno, dominicano, foi um gênio enciclopédico. Foi o Grande, o douto mestre de teologia, de filosofia e de ciências naturais, que pela grande afluência de estudantes nas suas lições na Universidade de Paris, foi obrigado a ensinar em praça pública. Essa praça tem ainda o seu nome.

Alberto nasceu em Lauingen (Baviera) em 1206. Aos 16 anos um tio trouxe-o a Pádua, na Itália, para que completasse seus estudos universitários. Aqui encontrou o superior geral dos dominicanos, o bem-aventurado Jordão de Saxônia, sucessor de São Domingos na chefia da Ordem dos Pregadores, que o encaminhou na vida religiosa. Em 1229 Alberto vestiu o hábito dos frades pregadores e foi mandado para Colônia, onde havia a escola mais importante da Ordem. Com o seu gênio enciclopédico penetrou nos diferentes campos do saber humano desde as ciências naturais até as especutalivas. O interesse universal pela cultura, segundo o espírito da época, na qual a filosofia escolástica atingiu o máximo desenvolvimento, conviveu em perfeita harmonia com a busca da santidade e a perfeição interior: “Senhor Jesus – rezava – imploramos a tua ajuda para não nos deixar seduzir pelas vãs palavras tentadoras sobre a natureza da família, sobre o prestígio da Ordem, sobre a que a ciência tem de atrativo”. (Sgarbossa, 1996)

Santo Alberto Magno ensinou em várias escolas na Alemanha antes de começar seu trabalho na Universidade de Paris em 1241, onde teve um grande número de alunos ilustres como S. Tomás de Aquino. Foi provincial dos dominicanos na Alemanha e bispo de Regensburg dois anos. Foi Bispo da Baviera, um dos maiores gênios da filosofia e da ciência medieval, defendendo que fé e razão provêm do mesmo Deus, e que não podem se contradizer.

O “Dicionary of Scientific Biography” afirma que S. Alberto Magno foi um dos mais famosos precursores da ciência moderna na Alta Idade Média. Foi renomado naturalista, estudou física, metafísica, biologia, psicologia, e várias ciências da terra. Escreveu a obra “De Mineralibus”. Ele conseguiu preparar a potassa cáustica e descreveu a composição química do cinabre (sulfureto de mercúrio), do cerusita (óxido de zinco artificial) e do mínio (óxido de chumbo empregado na pintura e na fabricação de vidros especiais); e do carbonato de chumbo artificial.

Santo Alberto percorreu a pé as regiões germânicas, pedindo esmola durante a viagem para comer e para dormir. Convocado pelo Papa teve de aceitar a nomeação para bispo de Ratisbona. Dele diziam: “No seu cofre não tinha um centavo, nenhuma gota de vinho na sua cantina.”

Regeu a diocese somente por dois anos. Depois pediu e obteve a exoneração do cargo, voltando a viver a vida comum no seu convento de Würzburg e a ensinar em Colônia. Nos meios intelectuais se dizia: o “Doutor universal falou; todos se calarão”. Ele colocava com clareza que “a ciência não pode explicar o mistério, mas ajuda a preparar os caminhos de Deus”. Era um admirador de Aristóteles e afirmava que é possível utilizá-lo como S. Agostinho utilizara Platão; mas rejeita aquilo que em Aristóteles é contrário à fé cristã. São Tomás de Aquino foi herdeiro de S. Alberto Magno.

Na quarta-feira, 24 de Março de 2010, o Papa Bento XVI fez uma Catequese sobre Santo Alberto Magno, onde disse:

“Um dos maiores mestres da teologia medieval é Santo Alberto Magno. O título de “grande” (magnus), com o qual ele passou para a história, indica a vastidão e a profundidade da sua doutrina, que ele associou à santidade da vida. Mas já os seus contemporâneos não hesitavam em atribuir-lhe títulos excelentes; um dos seus discípulos, Ulrico de Estrasburgo, definiu-o “enlevo e milagre da nossa época”.

Dedicou-se ao estudo das chamadas “artes liberais”: gramática, retórica, dialéctica, aritmética, geometria, astronomia e música, ou seja, da cultura geral. Em 1248, foi encarregado de abrir um estúdio teológico em Colônia, uma das capitais mais importantes da Alemanha, onde ele viveu durante vários períodos, e que se tornou a sua cidade de adoção. De Paris, levou consigo para Colônia o discípulo extraordinário, Tomás de Aquino. Só o mérito de ter sido mestre de S. Tomás seria suficiente para nutrir profunda admiração por Santo Alberto. Entre estes dois grandes teólogos instaurou-se um relacionamento de estima e amizade recíproca, atitudes humanas que contribuem muito para o desenvolvimento da ciência.

Os seus dotes não passaram despercebidos ao Papa daquela época, Alexandre IV (1254-1261), que quis Alberto por um certo período ao seu lado em Anagni – aonde os Papas iam com frequência – também em Roma e em Viterbo, para se valer da sua consulta teológica. O mesmo Sumo Pontífice nomeou-o Bispo de Regensburg. De 1260 a 1262, Alberto desempenhou este ministério com dedicação incansável, conseguindo levar paz e concórdia à cidade, reorganizar paróquias e conventos, e dar um novo impulso às atividades caritativas.

Santo Alberto Magno recorda-nos que entre ciência e fé existe amizade, e que os homens de ciência podem percorrer, através da sua vocação para o estudo da natureza, um autêntico e fascinante percurso de santidade.

Santo Alberto Magno abriu a porta para a recepção completa da filosofia de Aristóteles na filosofia e teologia medieval, uma recepção elaborada depois de modo definitivo por S. Tomás.

Eis um dos grandes méritos de Santo Alberto: com rigor científico, ele estudou as obras de Aristóteles, convencido de que tudo aquilo que é realmente racional é compatível com a fé revelada nas Sagradas Escrituras. Em síntese, Santo Alberto Magno contribuiu assim para a formação de uma filosofia autônoma, distinta da teologia e a ela vinculada só pela unidade da verdade. Santo Alberto Magno disse:

“Desejar tudo aquilo que eu quero para a glória de Deus, como Deus deseja para a sua glória tudo o que Ele quer”, ou seja, conformar-se sempre com a vontade de Deus para desejar e fazer tudo unicamente e sempre pela sua glória”.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Os Quatro Santos Coroados


Os Quatro Mártires Coroados, os chamados "Santi Quatro Incoronato" são: Castório, Cláudio, Nicóstrato e Sinfrônio e foram torturados e depois martirizados em Pannonia (hoje Hungria) visto que eram escultores em Sirmium (antiga Iugoslávia) e se recusaram a esculpir uma estátua pagã para o Imperador Diocleciano (243-305).

Um quinto mártir chamado Simplício também morreu com eles.

Uma basílica foi erigida em Roma em honra desses mártires

Na Colina de Caelian em Roma existe uma linda igreja chamada "Santi Quatro Incoronato".

Ela foi feita provavelmente no século sexto e muito se tem escrito sobre os quarto mártires coroados .

Mas a Igreja comemora não 4, mas 5 mártires .

A explicação mais convincente é que os 5 homens que foram martirizados em Pannonia um dos quais era Simplicio e este teria sido foi omitido na contagem.

Alguns tempo depois as relíquias de quatro foram trazida para Roma e enterradas na Via Labicana e de Simplicio teria ficado lá.

A tradição diz que eles foram torturado por não quererem fazer um escultura do deus Aesculapius, o deus grego da medicina.

Mais tarde o Papa Miltiades indicou os nomes dos cinco com sendo os mártires coroados.


Ao lenda mais popular conta que eles eram grandes escultores em pedra e trabalhavam juntos.


O seu trabalho exibia um perfeito equilíbrio entre a pedra e o espaço, e o Imperador Diocleciano havia adquirido um certo número de trabalhos deles e admirava os mesmos.


Outros escultores menos talentosos, com inveja, persuadiram a Diocleciano a ordenar uma escultura de Aesculapius sabendo que eles, sendo cristãos, iriam recusar.

Realmente os escultores educadamente recusaram a esculpir a referida estátua.

Eles foram então ordenados a fazerem sacrifícios ao deus Sol.

Isto era ainda menos aceitável para eles.

Quando o oficial de Diocleciano de nome Lampadius, que estava tentando convencer os escultores a oferecer os sacrifícios, morreu repentinamente, os seus parentes culparam os escultores pela sua morte.

Para aplacar os parentes, Diocleciano ordenou que eles fossem amarrados vivos dentro de caixas de chumbo e jogados no rio.

Esses dados do século quarto tem um especial interesse porque conta onde era o quartel imperial, onde ficava a montanha onde os deuses eram adorados (na montanha perto de Sirmium) e apresenta uma visão das intrigas palacianas e dá a Diocleciano uma personalidade mais humana do que a de um simples e sanguinário tirano, representado por quase todos os demais martírios de sua época.

Os corpos foram enterrados mais tarde a três quilômetros de Roma e mais tarde o Papa Gregório magno ( um estudioso dos mártires) mencionou pela primeira vez na Igreja os "quatro mártires coroados" e o Papa Leão IV em 841 trasladou as relíquias para a igreja da Via Lavican.

Quando a igreja foi quase destruída pelo fogo o Papa Paschoal II a reconstruiu e no curso da reconstrução duas ricas urnas–uma em mármore e outra em porcelana foram descobertas embaixo do altar.

As urnas foram depositadas em um cofre de pedra debaixo do altar mor, quando foram de novo encontradas pelo Papa Paulo V.Existe ainda uma capela dos "quatro mártires coroados" em Canterbury, Inglaterra, erigida em 619 DC.

Na arte litúrgica da igreja os quatro homens aparecem com ferramentas de escultores.

As vezes as pinturas mostram o cinzel, a coluna e ferramentas de escultura as vezes mostra Cláudio planejando em uma prancheta e Sinfrônio e ou Simplicio com uma talhadeira e Castório como um velho

São padroeiros dos escultores e dos cortadores de pedras e os trabalhadores em mármore.

Sua festa é celebrada no dia 8 de novembro.

Basílica em honra dos Quatro Santos Coroados, em Roma.

***


Fazei, Senhor onipotente, 

Que, reconhecendo o valor dos gloriosos mártires 

Na confissão da fé, 

Sintamos os efeitos da sua intercessão. 

Por nosso senhor Jesus Cristo. 

Amém 

***

"São estes os santos 

que para ficarem fiéis a Deus 

entregaram os corpos aos suplícios, 

e tingiram as suas túnicas 

no sangue do cordeiro" 

Ap 7,14 

***

Senhor, 

humildemente Vos suplicamos a graça de merecer a proteção daqueles cujo triunfo celebramos. 

Por nosso Senhor. 

Amém.
__________

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Santo Afonso Rodrigues, o jesuíta patrono dos porteiros.


Afonso Rodrigues nasceu na cidade de Segóvia, Espanha, no dia 25 de julho de 1532. Sua família era pobre mas, também, profundamente cristã. Seu pai era um simples comerciante de tecidos e sua mãe, dona de casa, mãe de onze filhos. 

Afonso teve uma infância feliz, apesar da pobreza, pois sua família era unida e cheia de fé. A primeira grande reviravolta na vida de Afonso, foi a morte de seu pai. Aconteceu quando ele tinha apenas dezesseis anos. O pai faleceu de repente. Por causa disso, sua mãe se viu em dificuldades para sustentar os onze filhos. Afonso, então, para ajudar a manter a casa, decidiu parar de estudar e começou a vender tecidos, aproveitando a carteira de clientes de seu falecido pai. 

Sete anos depois, em 1555, quando a situação tinha se normalizado, sua mãe o aconselhou a se casar. Afonso acolheu o conselho e se casou. O casal teve dois filhos. Porém, mais uma vez, acontecimentos inesperados vieram bater à sua porta. Primeiramente, sua esposa ficou doente e veio a falecer. Depois, seus dois filhos, adoeceram e morreram. 

Profundamente abatido por tamanhas perdas, Afonso perdeu o controle dos negócios, perdeu o pouco que possuía e ficou sem crédito. Sem rumo, Afonso tentou voltar as estudar, mas não conseguiu sair-se bem nas provas. Por isso, não foi aprovado para a Faculdade de Valência. Com mais esta perda na vida, Afonso mergulhou numa profunda depressão. Por isso, retirou-se na própria casa. Ali, fechou-se, rezou muito, meditou e jejuou. 

O tempo foi passando e um novo caminho começou a clarear em seu coração. Ele decidiu dedicar toda a sua vida ao serviço de Deus e dos irmãos. Munido de uma firme decisão, Afonso pediu ingresso na Companhia de Jesus como irmão leigo. Era o ano 1571. Afonso foi aceito e começou um noviciado que transformaria toda a sua vida. Como noviço, foi designado para viver e trabalhar no colégio dos jesuítas em Palma, na ilha de Maiorca. Este colégio dedicava-se à formação dos padres. Ali, Afonso encontrou sua realização total de vida. Viveu lá por mais de quarenta anos e entregou sua alma a Deus. 

No colégio, Afonso Rodrigues exerceu unicamente a função humilde e simples de porteiro. E isso durou quarenta e seis anos! Porém, se sua função não lhe trazia quase nenhum destaque, espiritualmente ele era dos mais elevados entre todos os confrades. Em sua vida terrena, recebeu vários dons extraordinários. Teve também várias manifestações como visões, profecias, milagres e o dom da cura. 

Após ter vivido uma vida simples, quarenta e seis anos totalmente dedicados ao serviço de Deus, da oração, da portaria do colégio e ao serviço aos irmãos por amor de Cristo, Santo Afonso Rodrigues adoeceu. Sofreu dores muito fortes pelo período de dois anos. Depois disso, faleceu. Era o dia 31 de outubro de 1617. Ele estava lá, no mesmo colégio onde dedicou sua vida a Deus.

Santo Afonso Rodrigues, mesmo sendo porteiro, foi procurado para ser orientador espiritual de vários religiosos e leigos. Estes, o procuravam por causa de sua sabedoria e dom do conselho. Entre estes, dois se destacavam. Primeiro, o Padre Pedro Claver, que, mais tarde, foi canonizado. Era missionário na Colômbia e ficou conhecido como o grande evangelizador dos povos negros escravizados na Colômbia. O outro, também santo, foi Jerônimo Moranto, missionário jesuíta martirizado no México. Os dois sempre seguiram as preciosas orientações do porteiro Santo Afonso Rodrigues. 

Sua canonização aconteceu em 1888, através do Papa Leão XIII. Ele foi canonizado junto com são Pedro Claver, seu fiel discípulo, aquele que se tornara conhecido como o Apóstolo dos Escravos. Santo Afonso Rodrigues deixou um legado valioso, além de sua vida santa. Ele deixou uma obra escrita considerada pequena, com “apenas” três volumes. Porém, sua obra tem grande valor teológico. Nela, relatou detalhadamente a riqueza de sua espiritualidade.

Oração a Santo Afonso Rodrigues

Ó Deus, concedei-nos, pelas preces de Santo Afonso Rodrigues, a quem destes perseverar na imitação de Cristo pobre e humilde, seguir a nossa vocação com fidelidade e chegar àquela perfeição que nos propusestes em vosso Filho. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. Santo Afonso Rodrigues, rogai por nós.
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domingo, 29 de outubro de 2017

Feliz festa de Cristo Rei!


Nós do blog Roma Sempre Eterna desejamos a todos os leitores uma feliz festa de Cristo Rei. Que Ele reine em nossos corações, nossos lares, nossos trabalhos e em todos os nossos âmbitos sociais. Nada somos sem Deus, sem sua graça, sem sua mão protetora. Tudo que precisamos fazer é o que Ele quer e pede para sermos salvos. É tempo de conversão, tempo de olhar para o futuro, firmar propósito de não ofender mais um Criador tão bondoso. Sejamos mais violentos contra as nossas vontades. Após nosso último suspiro seremos julgados pela sua santa justiça. Tenhamos fé e perseverança. Que saibamos esperar  tudo em Deus, porque, como disse Santa Teresa de Jesus, só Deus basta. Um santo domingo a todos. Viva Cristo Rey!!!

Já publicamos aqui:

sábado, 28 de outubro de 2017

São Judas Tadeu, Apóstolo e Mártir

São Judas Tadeu nasceu em Caná da Galiléia, Palestina, filho de Alfeu (ou Cleofas) e Maria Cleofas.

Seu pai, Alfeu, era irmão de São José e sua mãe prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto, São Judas Tadeu era primo-irmão de Jesus, tanto pela parte do pai como da mãe. Alfeu (Cleofas) era um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús, no dia da ressurreição. Maria Cleofas, era uma das piedosas mulheres que tinham seguido a Jesus desde a Galiléia e que permaneceram ao pé da cruz, no Calvário, junto com Maria Santíssima.

São Judas Tadeu tinha quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Maria Salomé. Um deles, Tiago, também foi chamado por Jesus para ser apóstolo. O relacionamento da família de São Judas Tadeu com o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo que se consegue perceber nas Sagradas Escrituras é o seguinte:

Dos irmãos dele, Tiago foi um dos doze apóstolos e tornou-se o primeiro bispo de Jerusalém. De José, sabe-se que era conhecido como o Justo. Simão, outro irmão de São Judas foi o segundo bispo de Jerusalém, sucessor de Tiago.

Maria Salomé, sua única irmã, era mãe dos apóstolos São Tiago Maior e São João Evangelista. Ele era chamado de Tiago Menor para diferenciar de outro apóstolo, São Tiago, que, por ser mais velho, era chamado de Maior.

É de se supor que houve muita convivência de São Judas Tadeu com seu primo Jesus e seus tios, Maria e José. Foi certamente essa fraterna convivência, além do parentesco muito próximo, que levou São Marcos (Mc 6,3) a citar São Judas Tadeu e seus irmãos como sendo os “irmãos” de Jesus.

Citações na Bíblia

A Bíblia trata pouco de São Judas Tadeu. Ela aponta, no entanto, um fato muito importante: ele foi escolhido a dedo, por Jesus, para ser um dos apóstolos. Quando os evangelhos nomeiam os doze discípulos escolhidos, sempre aparecem os nomes Judas ou Tadeu na relação dos apóstolos.

O nome de Judas aparece também nos Atos dos Apóstolos (At 1,13). Além dessas citações, seu sobrinho São João Evangelista (Jo 14,22) o nomeia entre os participantes do colégio apostólico que estavam no episódio da Santa Ceia, na quinta-feira santa.

Foi nesta oportunidade que, quando Jesus confidenciava aos apóstolos as maravilhas do amor do Pai e lhes garantia especial manifestação de si próprio, que São Judas Tadeu não se conteve e perguntou: “Mestre, por que razão hás de manifestar-te só a nós e não ao mundo?” E foi, então, que Jesus lhe respondeu afirmando que haveria manifestações d’Ele a todos os que guardassem sua palavra e permanecessem fiéis a seu amor.

Nesse fato da Última Ceia, São Judas Tadeu demonstra sua generosa compaixão para com todos os homens.

A vida de São Judas Tadeu

Depois que os Apóstolos receberam o Espírito Santo, no Cenáculo em Jerusalém, a Igreja de Deus expandiu-se: iniciou-se a evangelização dos povos. São Judas Tadeu iniciou sua pregação na Galiléia. Depois viajou para a Samaria e outras populações judaicas. Ele tomou parte do primeiro Concílio de Jerusalém que foi realizado no Ano 50.

Mais tarde evangelizou a Síria, a Armênia e a Mesopotâmia (atual Irã), onde ganhou a companhia de outro apóstolo, Simão, o “zelote”, que já evangelizava o Egito. A pregação e o testemunho de São Judas Tadeu, foi realizada de modo enérgico e vigoroso. Ele atraiu e cativou os pagãos e povos de outras religiões que, então, se converteram em grande número ao cristianismo.

Sua adesão a Nosso Senhor Jesus Cristo era completa e incondicional. Disso ele deu testemunho com a doação da própria vida. Este glorioso Apóstolo de Jesus dedicou sua vida à evangelização. Foi incansável nesta tarefa, pregando o evangelho e convertendo muitas almas. Os pagãos, inconformados, começaram a colocar o povo contra ele. São Judas Tadeu e São Simão foram presos e levados ao templo do sol. Ali recusaram-se a renegar a Jesus Cristo e prestar culto à deusa Diana.

Foi nessa ocasião que São Judas disse ao povo: “Para que fiqueis sabendo que estes ídolos que vós adorais são falsos, deles sairão os demônios e os hão de quebrar”. No mesmo instante, dois demônios hediondos quebraram todo o templo e desapareceram. Indignado, o povo, incitado pelos sacerdotes pagãos, atirou-se contra os apóstolos furiosamente. São Judas Tadeu foi trucidado por sacerdotes pagãos de modo cruel, violento e desumano.

Apóstolo e mártir, São Judas é representado em suas imagens segurando um livro, que simboliza a palavra de Deus que ele anunciou, e uma alabarda, uma espécie de machado, que foi o instrumento utilizado em seu martírio. Suas relíquias atualmente são veneradas na Basílica de São Pedro, em Roma. Sua festa litúrgica é celebrada em 28 de outubro, provável data de seu martírio acontecido no ano 70.

No Brasil, a devoção a São Judas Tadeu é relativamente recente. Ela surgiu no início do século XX, alcançando logo uma grande popularidade. Ele é invocado como o santo dos desesperados e aflitos, o santo das causas sem solução, das causas perdidas.

Epístola de São Judas Tadeu

Segundo a tradição eclesiástica, São Judas Tadeu é apontado, como sendo o autor da epístola canônica que traz seu nome. Tudo indica que essa carta foi dirigida aos judeus cristãos da Palestina, pouco depois da destruição da cidade de Jerusalém, quando a maioria dos Apóstolos já havia falecido. O breve escrito de São Judas Tadeu é uma severa advertência contra os falsos mestres e um convite a manter a pureza da fé.

Percebe-se que “A carta de São Judas” foi escrita por um homem apaixonado e preocupado com a pureza da fé e a boa reputação do povo cristão. O escritor afirma ter querido escrever uma carta diferente, mas ouvindo os pontos de vista errados de falsos professores da comunidade cristã urgentemente escreveu esta carta para alertar a Igreja a acautelar-se contra eles.
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Fonte: http://cleofas.com.br/sao-judas-tadeu-apostolo-e-martir/

quinta-feira, 26 de outubro de 2017

O Pai Nosso das Almas do Purgatório

A morte é mesmo a única certeza que temos na vida, além de Deus e todos os seus mistérios, guiados pela nossa razão até a fé, que no-Los mostra vivamente, em todos os sentidos. 

Como devota das benditas almas do Purgatório, compartilho uma oração que deve ser feita com muita confiança neste mês próximo, de Novembro, dedicado às almas do Purgatório. Se você é devoto das benditas almas, reze com confiança e ajude-as a serem levadas à bem-aventurança da eternidade ou a diminuírem as suas penas.

A oração do Pai Nosso das Almas do Purgatório foi um pedido de Jesus a Santa Mechtilde, no século XIII.

Um dia em que Santa Mechtilde havia acabado de comungar e oferecer a Deus a Hóstia Preciosíssima, a fim de que Ela servisse para a libertação das almas do Purgatório, com a remissão de seus pecados e a reparação de suas negligências, ouviu o Senhor dizer-lhe: “Reze por elas um Pai Nosso em união com a intenção que eu tive, ao tirá-lo do Meu Coração, a fim de ensiná-lo aos homens”. Ao mesmo tempo, a inspiração Divina desvendou à Santa as intenções.

Santa Mechtilde
E quando Santa Mechtilde acabou de rezar o Pai Nosso nessas intenções, ela viu uma grande multidão de almas, rendendo graças a Deus pela sua libertação do Purgatório, numa alegria extrema. A cada vez que a Santa rezava essa oração, via uma legião de almas subindo para o Céu. Socorramos as pobres almas do Purgatório, que nada podem para si mesmas, a não ser sofrer, esperando pelos nossos sufrágios, rezar por nós e serem gratas.

***

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU... Eu vo-lo peço, ó Pai Eterno, que perdoeis às almas do Purgatório por não Vos terem amado, nem rendido toda a honra que Vos é devida a Vós, seu Senhor e Pai, que só por pura graça as adotastes como filhas. E elas, no entanto, por causa de seus pecados, Vos expulsaram de seu coração onde desejáveis sempre habitar. Em reparação desses pecados por elas cometidos, eu Vos ofereço todo o amor e toda a veneração que o Vosso Filho feito Homem Vos testemunhou ao longo de toda a Sua vida terrestre, e eu Vos ofereço todas as ações de penitência e de satisfação pelas quais Ele apagou e expiou os pecados dos homens. 

SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME... Eu Vos suplico, ó Eterno PAI, que perdoeis às almas do Purgatório, por não terem honrado dignamente o Vosso Santo Nome, por terem-No pronunciado freqüentemente em vão e terem-se tornado, pela sua vida de pecado, indignas do nome de cristão. Em reparação desses pecados por elas cometidos, eu Vos ofereço toda a honra que o Vosso Filho bem-amado rendeu ao Vosso Nome, por Suas palavras e obras, ao longo de toda a Sua vida terrestre. 

VENHA A NÓS O VOSSO REINO... Eu Vos rogo, ó Eterno PAI, perdoar as almas do Purgatório, por não terem sempre procurado nem desejado o Vosso Reino com bastante zelo, este Reino que é o único lugar onde reinam o verdadeiro repouso e a eterna PAZ. Em reparação desta indiferença em praticar o bem, eu Vos ofereço o Santíssimo desejo com o qual o Vosso Filho desejou que, também elas, fossem as herdeiras do Seu REINO.

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU... Eu Vos rogo, ó Eterno PAI, que perdoeis às almas do Purgatório por não terem submetido a sua vontade própria à Vossa, nem terem procurado fazer a Vossa Vontade acima de todas as coisas. Em reparação dessa desobediência, eu Vos ofereço a perfeita conformidade do Coração pleno de Amor do Vosso Divino Filho, com a Vossa Santa Vontade, e a submissão que Vos testemunhou, obedecendo-Vos até à morte de cruz.

O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE... Eu Vos rogo ó Eterno PAI, perdoar às almas do Purgatório por não terem recebido a SAGRADA COMUNHÃO com bastante desejo, por terem-Na freqüentemente recebido sem recolhimento e sem amor, até mesmo indignamente, e ainda terem negligenciado em recebê-La. Em reparação de todos esses pecados, eu Vos ofereço a iminente Santidade e o grande Recolhimento de Nosso Senhor JESUS CRISTO, assim como o ardente AMOR com que Ele nos fez este incomparável Dom. (Eu Vos rogo ainda por aquelas almas que comungaram sem fé, sem gesto de adoração, não cuidando das migalhas da Hóstia, com roupas indecentes ou até provocadoras, sem terem se confessado, com pecados mortais. Eu Vos rogo, igualmente, pelas almas dos protestantes que rejeitaram este Augusto Sacramento, e agora o lamentam no meio das chamas. Compadecei-Vos delas, suscitando em mim, em seu lugar, a Fome Eucarística.) 

PERDOAI AS NOSSAS DÍVIDAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS OS NOSSOS DEVEDORES... Eu Vos rogo, ó Eterno Pai, perdoar às almas do Purgatório, de terem se tornado culpadas, sucumbindo aos pecados mortais e por não terem querido nem amar nem perdoar a seus inimigos. Em reparação desses pecados, eu Vos ofereço a oração cheia de amor que, na cruz, o Vosso Divino Filho Vos dirigiu em favor de Seus inimigos. 

NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO... Eu Vos rogo, ó Eterno Pai, perdoar as almas do Purgatório, por não terem freqüentemente resistido às tentações e às paixões e seguido o inimigo de todo o Bem, e de terem-se abandonado às concupiscências da carne. Em reparação de todos estes pecados em suas múltiplas formas dos quais se tornaram culpadas, eu Vos ofereço a gloriosa Vitória que Nosso Senhor Jesus Cristo obteve sobre o mundo, assim como a Sua Santíssima Vida, Seu trabalho e Suas penas, Seu sofrimento e morte crudelíssima. 

MAS LIVRAI-NOS DO MAL e de todos os castigos, em virtude dos méritos de Vosso Filho bem-amado, e conduzi-nos, assim como as almas do Purgatório, ao Vosso Reino de Glória que sois Vós mesmo. AMÉM!
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Disponível em: http://alexandriacatolica.blogspot.com.br/2011/11/o-pai-nosso-das-almas-do-purgatorio.html (com adaptações).

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Santíssimo Nome de Maria


A Igreja celebra no dia 12 de setembro a festa do Santo Nome de Maria. Deus sempre valorizou o nome das pessoas e esses nomes estiveram ligados à identidade e à missão delas. Por exemplo, Jesus mudou o nome de Simão (cf. Jo 1, 40s) para Képhas (= Pedro); uma vez que ele seria a Pedra sobre a qual o Senhor edificaria a sua Igreja (cf. Mt 16,18). “Tu és Pedro…”


A Sagrada Escritura sempre valorizou muito o nome dos personagens do povo de Deus. O próprio nome de Jesus indica a sua identidade: “Deus salva”, e o Anjo Gabriel o deu a Maria e a José: “Ela dará à luz um filho a quem tú porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados” (Mt 1, 21).

Certamente, devemos concluir que o santo nome da Virgem Maria não foi dado sem um sentido, e certamente foi dado por Deus por inspiração a seus pais Santa Ana e São Joaquim. E o Arcanjo Gabriel pronuncia o seu nome: “Não temas Maria, porque achaste graça diante do Senhor” (Lc 1,30).

Segundo os etimologistas, o nome Maria pode ter vindo da raiz mery, da língua egípcia que significa mui amada. Outros dizem que provém do siríaco e quer dizer senhora. Mas, a probabilidade maior é a que veio do hebraico, e pode ter vários significados: “Estrela do Mar; Esperança; Excelsa; ou Sublime”, entre outros.

Não importa, contudo, o real significado, mas o que se tornou a partir do momento que a Mãe do Redentor O recebeu. Poderoso é este nome que deve ser invocado sempre.

Todo católico ama e pronuncia muitas vezes o santo nome de sua Mãe Santíssima, Virgem, Imaculada e Assunta ao céu. Quando rezamos o santo Rosário o pronunciamos sem cessar, clamando a sua ajuda e poderosa intercessão. “Ave Maria, cheia de graça…” , “Santa Maria Mãe de Deus…” E o bom povo brasileiro gosta de colocar em suas filhas este sagrado nome: Maria Isabel, Maria Aparecida, Maria do Socorro, Maria das Dores, Maria do Carmo, Maria… Maria… Maria… Que povo devoto à Virgem Maria!

O Padre Antônio Vieira, em um dos seus mais inspirados escritos, diz:

“Só vos digo que invoqueis o nome de Maria quando tiverdes necessidade dele; quando vos sobrevier algum desgosto, alguma pena, alguma tristeza; quando vos molestarem os achaques do corpo, ou vos molestarem os da alma; quando vos faltar o necessário para a vida…;

Quando os pais, os filhos, os irmãos, os parentes se esquecerem das obrigações do sangue; quando vo-lo desejarem beber a vingança, o ódio, a inveja; quando os inimigos vos perseguirem, os amigos vos desampararem, e donde semeastes benefícios, colherdes ingratidões e agravos;

Quando os maiores vos faltarem com a justiça, os menores com o respeito, e todos com a proximidade; quando vos inchar o mundo, vos lisonjear a carne, e vos tentar o demônio, que será sempre e em tudo; quando vos virdes em alguma dúvida ou perplexidade, em que vós não saibais resolver nem tomar conselho;

Quando amanhecer o dia, sem saberdes se haveis de anoitecer, e quando vos recolherdes à noite, sem saber se haveis de chegar à manhã; finalmente, em todos os trabalhos, em todas as aflições, em todos os perigos, em todos os temores, e em todos os desejos e pretensões, porque nenhum de nós conhece o que lhe convém; em todos os sucessos prósperos ou adversos, e em todos os casos e acidentes súbitos da vida, da honra, e, principalmente, nos da consciência, que em todos anda arriscada, e com ela a salvação.

E como em todas estas coisas, em cada uma delas necessitamos de luz, alento e remédio mais que humano, se em todas e cada uma recorrermos à proteção e amparo da mãe das misericórdias, não há dúvida que, obrigados da mesma necessidade, não haverá dia, nem hora, nem momento em que não invoquemos o nome de Maria”.

São Bernardo, Doutor da Igreja, dizia de Maria:

“Ó tu, que te sentes, longe da terra firme, levado pelas ondas deste mundo, no meio dos temporais e das tempestades, não desvies o olhar da luz deste Astro, se não quiserdes perecer.

Se o vento das tentações se elevar, se o recife das provações se erguer na tua estrada, olha para a Estrela, chama por Maria.

Se fores sacudido pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, do ciúme, olha para a Estrela, chama por Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, que não se afaste de teu coração; e, para obter o auxílio da sua oração, não te descuides do seu exemplo de vida.

Seguindo-a, terás a certeza de não te desviares; suplicando-lhe, de não desesperar; consultando-a, de não te enganares. Se ela te segurar, não cairás; se te proteger, nada terás de temer; se te conduzir, não sentirás cansaço; se te for favorável, atingirás o objetivo”.

Todos os santos, sem exceção, engrandeceram o sagrado nome da Virgem Maria e por isso a Igreja celebra a festa do seu santo nome.

Santa Maria, rogai por nós!
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Texto de Prof. Felipe Aquino
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A Tradição é linda.

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Palavras de Santo Agostinho

"A oração é uma chave do céu; sobem as preces, desce a divina misericórdia. Por mais baixa que seja a Terra, e alto o Céu, Deus ouve a língua do homem, quando este tem limpa a consciência."